A inflação na Argentina ficou em 1,9% em agosto, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) nesta quarta-feira (10).
O índice acumulado em 12 meses caiu para 33,6%, abaixo dos 36,6% registrados no mês anterior, enquanto economistas esperavam alta de 2%.
O resultado ocorre em meio a crise política envolvendo o governo de Javier Milei e medidas econômicas para conter a alta de preços.
Desempenho setorial e contexto econômico
O setor de transporte liderou os aumentos em agosto, com alta de 3,6%. Em seguida vieram bebidas alcoólicas e tabaco (3,5%), restaurantes e hotéis (3,4%), habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (2,7%) e educação (2,5%).
A inflação mensal se manteve estável em relação a julho, que também registrou 1,9%. A Argentina enfrenta uma forte recessão e, desde dezembro de 2023, o presidente Javier Milei adotou políticas de ajuste, como a paralisação de obras federais e corte de repasses a estados.
Crise política e impacto econômico
Nas últimas semanas, Milei enfrenta uma crise política após denúncias de corrupção envolvendo Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente. Um áudio de Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional de Discapacidade, acusa Karina e Eduardo “Lule” Menem de cobrar propinas de indústrias farmacêuticas. O caso está sob investigação judicial.
A crise política se agravou após derrota de Milei nas eleições da província de Buenos Aires, que concentra quase 40% do eleitorado argentino. O resultado afetou o mercado: títulos públicos, ações e o peso argentino caíram, levando a moeda ao menor valor histórico, cotada a 1.423 por dólar. Milei convocou o gabinete para discutir a crise.
Acordo com FMI e medidas econômicas
O início do governo Milei foi marcado por acordo de US$ 20 bilhões em empréstimos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 11 de abril. A primeira parcela, de US$ 12 bilhões, foi liberada dias depois, somando-se a dívidas anteriores de mais de US$ 40 bilhões.
Reduzir a inflação é prioridade para o governo, que busca eliminar controles de capitais. Após o acordo, o Banco Central da Argentina flexibilizou o “cepo” cambial, encerrando a paridade fixa do peso e adotando o câmbio flutuante.
O governo lançou medidas monetárias, fiscais e cambiais para injetar dólares no país e cumprir o acordo com o FMI. Entre elas, permitiu o uso de dólares guardados fora do sistema financeiro sem necessidade de declarar origem e flexibilizou o uso de pesos e dólares em títulos públicos. Também anunciou plano de captação de US$ 2 bilhões em empréstimos e compromisso de reduzir a emissão de moeda.
Na semana anterior às eleições de Buenos Aires, o governo anunciou intervenção no mercado de câmbio para evitar desvalorizações abruptas. O secretário de Finanças, Pablo Quirno, afirmou que o Tesouro atuará diretamente na compra e venda de dólares para garantir oferta suficiente. O objetivo é estabilizar a inflação, reforçar reservas e atrair investimentos enquanto avança o ajuste econômico.