Economia

Governo Milei volta a intervir no câmbio após crise política e queda do peso

Medidas buscam conter desvalorização do peso e recuperar confiança em meio a escândalos e reservas negativas

O governo de Javier Milei anunciou nova intervenção no câmbio argentino, após o fim do ‘cepo’ e adoção do câmbio flutuante. A medida ocorre diante da rápida desvalorização do peso, reservas negativas e escândalos políticos envolvendo a irmã do presidente.

O anúncio visa conter a perda de valor da moeda, estabilizar a economia e recuperar a confiança de investidores, especialmente às vésperas das eleições provinciais em Buenos Aires.

Crise econômica desafia agenda liberal

Desde que assumiu a presidência em 2023, Javier Milei enfrenta a pior crise econômica da Argentina em décadas, marcada por inflação superior a 200% ao ano, aumento da pobreza, dívida externa elevada e escassez de dólares em reserva. Defensor de um liberalismo radical, Milei propôs medidas como dolarização da economia, fechamento do Banco Central, cortes profundos no Estado e abertura comercial ampla.

Apesar de algum sucesso inicial na redução da inflação, o governo não conseguiu atrair investimentos estrangeiros nem acumular reservas em dólar. O fim do ‘cepo’ em abril e a adoção do câmbio flutuante enfraqueceram ainda mais o peso, aumentando a demanda por dólares no mercado e pressionando os preços internos.

Com as reservas chegando a cerca de US$ 7 bilhões negativos em 2025, o governo endureceu regras para operações em moeda estrangeira e proibiu bancos de ampliar posições em câmbio à vista no fim do mês, tentando evitar manobras que pressionem o peso. Segundo Carlos Henrique, diretor de operações da Frente Corretora, a intervenção é uma “contenção de crise” e representa uma mudança drástica na política econômica de Milei, que abandona temporariamente o discurso de autorregulação do mercado.

Escândalos políticos e tensão eleitoral

Corrupção abala confiança

O governo Milei também enfrenta turbulências políticas. No fim de agosto, áudios vazados de Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência, acusaram Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, e o subsecretário Eduardo “Lule” Menem de exigirem propina de indústrias farmacêuticas.

Segundo relatório do Bradesco BBI, escândalos desse tipo fragmentam o cenário político, minam a reputação do governo e dificultam o cumprimento de metas do FMI, além de provocar fuga de capitais estrangeiros e maior pressão sobre o câmbio.

Eleições e queda de popularidade

O contexto se agrava com a proximidade das eleições provinciais de Buenos Aires, marcadas para o próximo domingo (7), que definirão novos deputados e senadores nacionais. Após derrotas no Congresso e anulação de decretos presidenciais, a aprovação de Milei caiu oito pontos em cinco semanas, chegando a 41%.

Para Carlos Henrique, a instabilidade política catalisou a desvalorização do peso, obrigando o governo a intervir no câmbio para tentar conter a crise e preservar o apoio popular.

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