As manifestações de 7 de setembro no Brasil, marcadas por protestos a favor e contra Jair Bolsonaro, ganharam destaque na imprensa internacional. Os atos, que ocorreram em meio ao julgamento do ex-presidente pelo STF, evidenciaram a polarização política do país. Veículos estrangeiros apontaram pedidos de intervenção dos EUA e críticas ao governo Lula.
Repercussão internacional e divisão política
Os protestos do Dia da Independência, realizados no domingo (7), foram amplamente noticiados por jornais estrangeiros, que ressaltaram a existência de “dois Brasis” diante do iminente veredito do STF sobre Bolsonaro. O espanhol El País destacou o embate entre o “Brasil institucional”, representado por Lula, e o bolsonarismo, sem a presença do ex-presidente, que está em prisão domiciliar.
O britânico The Guardian enfatizou que manifestantes pediram intervenção do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e compareceram vestidos com símbolos americanos. Segundo o jornal, caso Bolsonaro seja condenado, pode pegar até 43 anos de prisão, com decisão prevista para quinta ou sexta-feira.
O The New York Times relatou que milhares de brasileiros lotaram as ruas em uma semana “tensa” que pode terminar com a condenação de Bolsonaro, ressaltando sua força política mesmo sob julgamento. Já o argentino La Nación afirmou que apoiadores “desafiaram Lula” antes do veredito do STF.
O The Washington Post noticiou que os atos antecederam o “veredito” do STF e repercutiu o discurso de Lula em defesa da soberania nacional e contra influência estrangeira. O francês Le Figaro chamou a manifestação de “demonstração de força” e lembrou que Bolsonaro está inelegível até 2030 e em prisão domiciliar desde agosto.
Desdobramentos políticos e repercussão interna
Além da cobertura internacional, os protestos tiveram impactos no cenário político nacional. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, adotou o slogan “Bolsonaro acima de tudo” e atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, chamando-o de tirano. No Rio, o senador Flávio Bolsonaro defendeu a candidatura do pai em 2026.
Magistrados do STF avaliaram que Tarcísio buscou um acordo com Bolsonaro para garantir apoio em 2026. A mobilização da direita acabou fornecendo munição ao governo Lula para atacar aliados de Bolsonaro nas redes sociais.
O julgamento do ex-presidente e outros sete réus será decidido pelos cinco ministros da Primeira Turma do STF nesta semana. O resultado do placar de condenação pode influenciar os recursos cabíveis. Enquanto isso, movimentos de esquerda foram às ruas contra a anistia de condenados por atos golpistas e em defesa da soberania nacional.