A Casa Branca declarou nesta terça-feira (9) que o governo de Donald Trump está disposto a usar meios militares para proteger a liberdade de expressão globalmente, em referência a uma possível condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que não há, por ora, novas ações contra o Brasil.
O posicionamento veio após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, votar pela condenação de Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe de Estado.
Durante coletiva, a porta-voz Karoline Leavitt foi questionada sobre eventuais medidas dos EUA caso o julgamento de Jair Bolsonaro resulte em condenação. Ela respondeu: “O presidente (dos EUA, Donald Trump) não tem medo de usar meios econômicos nem militares para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”.
Leavitt reforçou que “a liberdade de expressão é a questão mais importante dos nossos tempos” e destacou que o presidente Trump leva o tema “muito a sério”. Segundo ela, por esse motivo, o governo norte-americano já tomou ações contra o Brasil. Apesar disso, Leavitt esclareceu que, no momento, “não há nenhuma ação adicional” prevista contra o governo brasileiro.
A declaração ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votar pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus. O julgamento envolve acusações de tentativa de golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Moraes, relator do processo na Primeira Turma do STF, foi o primeiro a votar. Os demais ministros – Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin – ainda irão se manifestar.
Trâmites do julgamento e repercussão
O processo conduzido pelo STF envolve o chamado núcleo crucial da suposta trama golpista, que teria como objetivo manter Jair Bolsonaro no poder e impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
O julgamento segue na Primeira Turma, composta também pelos ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente do colegiado. Ainda não há previsão para a conclusão dos votos.
As declarações da Casa Branca aumentam a atenção internacional sobre o julgamento e as possíveis consequências diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante da possibilidade de novas medidas caso haja condenação formal de Bolsonaro.