Economia

Investimento chinês no Brasil cresce mais de 100 por cento em 2024

Brasil se torna o terceiro maior destino mundial de capital chinês, com destaque para energia e veículos elétricos

O investimento chinês no Brasil mais que dobrou em 2024, segundo estudo do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC). O país tornou-se o terceiro principal destino global desses aportes, atrás apenas do Reino Unido e Hungria.

Os investimentos, que somaram US$ 4,2 bilhões no ano passado, têm foco em energia e setores emergentes como veículos elétricos. O avanço ocorre em meio ao fortalecimento dos laços diplomáticos entre Brasil e China.

Expansão dos investimentos chineses e diversificação de setores

De acordo com o CEBC, o investimento direto chinês no Brasil em 2024 superou o dobro do registrado em 2023. O estudo aponta que empresas da China estão ampliando sua atuação além do setor energético, investindo também em áreas como carros elétricos e tecnologia. Atualmente, há um número recorde de 39 projetos chineses em andamento no país.

Uallace Moreira, chefe de desenvolvimento industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), afirmou que a entrada da China “vai promover um choque de competitividade com outras empresas no setor brasileiro industrial”. No entanto, Moreira destacou a necessidade de desenvolver as cadeias produtivas locais, já que muitas fábricas chinesas ainda importam peças da China para montagem final no Brasil, gerando menos empregos e menor estímulo à indústria nacional.

Tulio Cariello, autor do estudo do CEBC, observou que empresas chinesas estão buscando expandir negócios em países emergentes, como o Brasil, enquanto reduzem sua presença nos Estados Unidos. Em 2023, os investimentos chineses nos EUA foram de apenas US$ 2,2 bilhões.

EUA mantêm liderança em investimentos estrangeiros no Brasil

Apesar do avanço chinês, os Estados Unidos seguem como principal origem de investimento estrangeiro direto no Brasil, com US$ 8,5 bilhões aportados em 2023, segundo dados oficiais. Entre 2015 e 2019, a média anual de investimentos chineses no Brasil era de US$ 6,6 bilhões, concentrados em grandes projetos de petróleo e energia.

O estudo do CEBC mostra que o Brasil subiu da nona posição global em 2022 e 2023 para a terceira em 2024 como destino de capital chinês, ficando atrás apenas do Reino Unido e Hungria. O movimento reflete uma diversificação dos investimentos, com empresas como Meituan e Didi entrando no setor de entrega de alimentos brasileiro.

Por outro lado, Moreira ressalta que empresas chinesas enfrentam desafios no Brasil, como cadeias produtivas mais caras, sistema tributário complexo e leis trabalhistas rigorosas. Um episódio recente envolveu a montadora BYD, processada após o resgate de 163 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma fábrica em construção. A empresa negou irregularidades, e Moreira destacou: “A lei é diferente da China. É muito diferente.”

As tensões geopolíticas, como a guerra comercial entre EUA e China, também influenciam o redirecionamento dos investimentos chineses para países como o Brasil, segundo Cariello.

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