A Polícia Federal encontrou mais de R$ 32 mil em espécie no gabinete do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, durante operação que investiga desvios de recursos públicos na pandemia de covid-19.
O governador foi afastado do cargo por seis meses pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação faz parte da Operação Fames-19, que apura fraudes em contratos de cestas básicas e frangos financiados por emendas parlamentares.
Na segunda fase da operação, realizada em 3 de agosto de 2024, a PF cumpriu 51 mandados de busca e apreensão em vários estados, incluindo o gabinete de Barbosa no Palácio Araguaia, sede do governo estadual.
Detalhes da operação e investigações
Na primeira fase da operação, em agosto de 2024, a Polícia Federal já havia cumprido mandados de busca em endereços ligados a Wanderlei Barbosa. No gabinete do governador, foram encontrados R$ 32,2 mil em dinheiro vivo, junto a carimbos oficiais. A investigação aponta que o governador seria o chefe de uma organização criminosa responsável por desviar recursos durante a pandemia de covid-19.
Segundo a PF, o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 73 milhões. Os contratos investigados envolvem a compra de 1,6 milhão de cestas básicas e frangos congelados, pagos com recursos de emendas parlamentares entre 2020 e 2021. Parte dos valores teria sido utilizada para construir uma pousada de luxo em nome do filho do governador, com mais de R$ 2,4 milhões transferidos ao empreendimento em dois anos.
Diálogos interceptados e suspeitas
Interceptações de mensagens no WhatsApp mostram conversas entre operadores do esquema e o irmão do governador, sugerindo o recebimento sistemático de propina. Um dos diálogos destaca a prorrogação do estado de calamidade pública no Tocantins, com menções diretas a dinheiro e risos entre os envolvidos. A PF também identificou fraudes à licitação e manipulação de resultados de certames públicos.
Alcance da operação
Na segunda fase da Operação Fames-19, a PF cumpriu mandados em Palmas, Araguaína, Distrito Federal, Paraíba e Maranhão, além de outras medidas cautelares. O objetivo é aprofundar as investigações sobre o desvio de recursos destinados à assistência social durante a pandemia.
Defesa do governador e repercussão
Em nota, Wanderlei Barbosa afirmou respeitar a decisão do STJ, mas considerou a medida precipitada, pois as apurações ainda estão em andamento. O governador ressaltou que os pagamentos das cestas básicas ocorreram entre 2020 e 2021, período em que era vice-governador e não ordenador de despesas.
Barbosa declarou que determinou auditoria sobre os contratos investigados, com encaminhamento das informações às autoridades competentes. Ele prometeu acionar meios jurídicos para reassumir o cargo, comprovar a legalidade de seus atos e garantir a estabilidade do estado e a continuidade dos serviços à população.
Desdobramentos e próximos passos
A investigação segue em curso, com a expectativa de novas revelações sobre o esquema de desvio de recursos públicos. O afastamento do governador e a apreensão de dinheiro reforçam o impacto da operação no cenário político do Tocantins.