Política

Dinheiro desviado no Tocantins financiou pousada de luxo em nome do filho do governador

Investigação da Polícia Federal aponta uso de recursos desviados da pandemia na construção de empreendimento ligado à família de Wanderlei Barbosa

Uma investigação da Polícia Federal revelou que parte do dinheiro desviado em um esquema no Tocantins durante a pandemia de Covid-19 foi usado para construir uma pousada de luxo em nome do filho do governador, Wanderlei Barbosa (Republicanos).

A Pousada Pedra Canga, localizada na Serra de Taquaruçu, Palmas, teria recebido cerca de R$ 2,4 milhões entre junho de 2022 e julho de 2024. O governador foi afastado do cargo nesta quarta-feira (3) após decisão do ministro Mauro Campbell, do STJ.

Detalhes da investigação

Segundo os investigadores, o empreendimento está registrado em nome de Rérison Antônio Castro Leite, filho de Wanderlei Barbosa. A Polícia Federal constatou o direcionamento de grandes somas para a construção da pousada, com recursos supostamente desviados de contratos públicos.

O envio dos valores teria começado em julho de 2022 e segue até o momento, totalizando mais de R$ 2,4 milhões entre 21 de junho de 2022 e 30 de julho de 2024. Entre as provas reunidas pela PF está uma conversa interceptada entre Rérison e Marcos Martins Camilo, então chefe de gabinete do governador. Nela, Rérison afirma que “até a última vez que eu falei com ele, ele não queria que botasse nada no nome dele não”, referência que, segundo a PF, seria ao próprio governador, indicando tentativa de ocultação de patrimônio.

Para justificar o fluxo de capital, o balanço financeiro da pousada passou a registrar os aportes como transferências de “Investidor-Anjo”, termo usado para caracterizar investimentos em empresas em troca de participação futura, conforme aponta a investigação.

Fraudes em contratos públicos

A Polícia Federal apura fraudes em contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados financiados por emendas parlamentares em 2020 e 2021. Os contratos, que somam quase R$ 5 milhões e envolvem pelo menos 1,6 milhão de cestas básicas, teriam sido pagos sem que todos os itens fossem entregues à população.

As compras, realizadas sem licitação devido ao decreto de emergência estadual, também envolveram aluguel de caminhões para distribuição dos alimentos. A PF aponta que os recursos desviados foram ocultados em empreendimentos de luxo, compra de gado e despesas pessoais dos envolvidos.

Posicionamento do governador

O governador Wanderlei Barbosa declarou que respeita a decisão do STJ, mas considera seu afastamento uma “medida precipitada”. Ele afirmou que os pagamentos das cestas básicas investigados ocorreram entre 2020 e 2021, quando ainda era vice-governador e não ordenador de despesa.

Barbosa destacou que determinou auditorias nos contratos suspeitos por meio da Procuradoria-Geral do Estado e da Controladoria-Geral do Estado, que já encaminharam as informações às autoridades competentes. O governador afirmou ainda que acionará os meios jurídicos para reassumir o cargo, comprovar a legalidade de seus atos e garantir a estabilidade do estado e a continuidade dos serviços à população.

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