O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), classificou como “inacreditável” a articulação no Congresso para aprovar uma anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Segundo Lindbergh, discutir o tema enquanto o Supremo Tribunal Federal julga a trama golpista é uma “provocação infantil” e um ataque à Corte.
Ele afirmou que a proposta é inconstitucional e que, se aprovada, o presidente Lula irá vetá-la.
Reação à articulação no Congresso
Lindbergh Farias criticou duramente a movimentação de parlamentares para aprovar uma anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O deputado considerou a medida “irresponsável” e destacou que pautar o assunto durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal é uma tentativa de “tirar a legitimidade do julgamento do Supremo” e um “bullying contra o Supremo”.
Disputa de votos e mobilização
O líder do PT rebateu a fala do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que afirmou já ter votos suficientes para aprovar a urgência da proposta. Lindbergh contestou: “Não é certo que eles tenham 257 votos”. Ele ressaltou que o governo irá se mobilizar contra o avanço da pauta, classificando-a como um “ataque frontal” ao Supremo.
Para o deputado, a anistia “não tem nada de pacificação” e serve apenas para “criar confusão”. Ele lembrou que o STF já barrou anistias para crimes contra o Estado Democrático de Direito, citando o caso do deputado Daniel Silveira, em que o ministro Fux e outros nove ministros decidiram que crimes contra a democracia não são passíveis de anistia.
Críticas a Tarcísio de Freitas
Lindbergh Farias também direcionou críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por sua participação na articulação da anistia. O deputado afirmou estranhar que um governador de um estado como São Paulo “pare o trabalho e venha a Brasília articular uma proposta claramente inconstitucional”.
Segundo Lindbergh, Tarcísio estaria buscando apoio junto à ala mais radical do bolsonarismo para se posicionar como candidato, ao defender a anistia. Ele classificou a atitude do governador como “rasteira e tão ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal” e sugeriu que, se Tarcísio quisesse articular a proposta, deveria aguardar o fim do julgamento no STF. “É preciso ter modos”, concluiu o líder do PT.