O Produto Interno Bruto do Brasil cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2025, segundo o IBGE, mostrando desaceleração em relação ao trimestre anterior, quando o avanço foi de 0,7%.
A economia foi impactada por juros elevados, recuo no setor agropecuário, queda nos investimentos e redução do consumo do governo.
Especialistas apontam que fatores internos e externos contribuíram para o ritmo mais lento da atividade econômica no período.
Desempenho do PIB e setores influenciados
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento de 0,3% do PIB no segundo trimestre representou uma desaceleração frente ao resultado de 0,7% do início do ano. O desempenho mais fraco foi puxado principalmente pela indústria e pelo comércio, enquanto o setor de serviços manteve crescimento estável.
Economistas consultados destacam que a economia brasileira perdeu força, com ritmo mais lento em comparação aos trimestres anteriores. A redução do consumo das famílias, dos investimentos e impactos da economia global são apontados como causas.
Taxas de juros e consumo das famílias
Com a Selic em 15%, o maior patamar em quase 20 anos, o consumo das famílias, embora firme, segue afetado pelos juros elevados. O IBGE aponta crescimento dos salários reais e manutenção de programas de transferência de renda, mas o endividamento e a inadimplência aumentaram nos últimos meses.
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, ressalta que “muito provavelmente, veremos o consumo desacelerar” devido ao efeito dos juros altos, que levam consumidores a reverem suas posições de crédito. Setores sensíveis à taxa de juros, como construção e indústria de transformação, apresentaram menor dinamismo.
O economista Maykon Douglas observa que “a parte mais cíclica do PIB caiu de 0,14% para 0,07%, movimento natural diante do aumento dos juros”.
Outros fatores de desaceleração
Setor agropecuário
O setor agropecuário, que impulsionou o crescimento no início do ano, recuou 0,1% no segundo trimestre. Apesar disso, a alta interanual foi de 10,1%. Leonardo Costa, economista do ASA, atribui a desaceleração ao fim do impacto da safra recorde de milho e soja, cujas produções devem crescer 14,2% e 19,9% em relação a 2024, respectivamente. Rebeca Palis, do IBGE, afirma que “o crescimento interanual do primeiro trimestre já foi significativo” e que o clima favorável explica os bons resultados recentes. A queda trimestral reflete uma normalização após o efeito excepcional da safra anterior.
Investimentos e consumo do governo
Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, caíram 2,2% no trimestre, após alta de 3,2% nos três meses anteriores. Silvia Matos, da FGV-IBRE, destaca que o resultado foi influenciado por importações pontuais, como uma plataforma de extração de petróleo de US$ 2,7 bilhões em fevereiro. A média dos dois trimestres mostra crescimento de 0,5% nos investimentos, indicando desaceleração, mas não colapso.
O consumo do setor público recuou 0,6%, refletindo contenção de gastos após forte expansão nos anos anteriores. Sérgio Vale explica que o governo gastou intensamente nos últimos anos, mas esse efeito diminuiu em 2025. Maykon Douglas complementa que a queda nos gastos do governo contribuiu para a desaceleração do consumo e dos investimentos, mesmo mantendo o PIB positivo.