Política

Oposição intensifica pressão por anistia durante julgamento de Bolsonaro no STF

Deputados articulam votação de proposta para perdoar condenados dos ataques de 8 de janeiro em meio ao julgamento do ex-presidente

Líderes da oposição na Câmara anunciaram nesta terça-feira (2) que vão aumentar a pressão sobre o Congresso para votar a proposta de anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.

A mobilização ocorre enquanto o Supremo Tribunal Federal julga o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros acusados por tentativa de golpe de Estado.

O grupo se reuniu na casa do líder Zucco (PL-RS), em paralelo ao início do julgamento.

Pressão por anistia ganha força

Na manhã desta terça-feira, lideranças da oposição se reuniram na residência de Zucco (PL-RS), líder do bloco na Câmara, para definir estratégias em resposta ao julgamento do chamado “núcleo crucial” da trama golpista no STF, que inclui Jair Bolsonaro e outros sete acusados.

Zucco afirmou que a anistia será o foco principal do grupo nos próximos dias. Questionado sobre outras pautas, como restrição ao foro privilegiado, ele destacou que o perdão às condenações é a prioridade.

A proposta de anistia, defendida há anos pela oposição, encontra resistência no Congresso. Para destravar a análise, o grupo pretende buscar os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Zucco disse esperar que Motta seja cobrado por parlamentares em reunião de líderes marcada ainda para esta terça-feira.

“Um homem tem palavra. A gente acredita que chegou a hora de ele cumprir a palavra”, declarou Zucco sobre Motta.

O vice-líder Sanderson (PL-RS) acredita que o julgamento de Bolsonaro, cuja condenação é dada como certa por parlamentares da oposição, pode criar ambiente favorável à anistia. “Essa semana ou semana que vem, esse teatro, essa farsa desse processo [no STF] deve ser levada adiante. Daí, nós teremos uma condenação [contra Bolsonaro e outros]”, afirmou Sanderson.

Por outro lado, lideranças de centro avaliam que não há clima para avançar com a anistia durante o julgamento. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), criticou a proposta, classificando-a como interferência do Legislativo no Judiciário. “Seria uma interferência abusiva e absurda por parte do Poder Legislativo pautar no primeiro dia do julgamento alguma coisa ligada à anistia”, declarou Lindbergh.

Articulação política e apoio de Tarcísio

Deputados e senadores contam com o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para destravar a proposta de anistia. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que Tarcísio “entrou de cabeça” na articulação e está em Brasília para reuniões sobre o tema.

Segundo Flávio, lideranças do Congresso trabalham em um novo projeto de anistia “ampla, geral e irrestrita”, e a participação de Tarcísio amplia as discussões. O senador pretende apresentar uma nova versão da proposta nos próximos dias.

Participação no julgamento

Parlamentares da oposição planejam comparecer às sessões do julgamento contra Bolsonaro. O ex-presidente, com problemas de saúde e em prisão domiciliar, não esteve presente no Supremo no primeiro dia de análise do caso.