O jornal americano Washington Post destacou nesta segunda-feira (1º) que o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, previsto para começar na terça-feira (2), representa um momento em que o Brasil confronta tanto o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto seu próprio passado autoritário.
Segundo o veículo, o processo contra Bolsonaro e outros sete réus ligados à suposta trama golpista de 2022 marca uma reviravolta na postura histórica do país, que costuma optar pela conciliação em casos de crimes contra o Estado democrático.
Julgamento marca ruptura e polarização
De acordo com o Washington Post, o julgamento de Bolsonaro é o ápice de uma saga que intensificou a polarização no Brasil, testou o Judiciário e ampliou a distância política entre o país e os Estados Unidos. O jornal relembra medidas de Trump contra o Brasil e o STF, como tarifas e sanções ao ministro Alexandre de Moraes, em resposta ao que chamou de “caça às bruxas política” contra Bolsonaro.
O periódico ressalta que, ao invés de recuar diante das pressões internacionais, o Brasil aumentou a pressão sobre Bolsonaro e seus aliados, citando os novos indiciamentos do ex-presidente e de seu filho Eduardo no mês anterior.
O julgamento é visto por acadêmicos como um evento acompanhado de perto pela sociedade e potencialmente capaz de estabelecer um novo precedente para a responsabilização política no país.
Histórico de golpes e leis pós-ditadura
O Washington Post detalha que o Brasil já sofreu 14 tentativas de golpe, metade delas bem-sucedidas, muitas envolvendo militares, desde a deposição do último monarca em 1889. Sobre o regime militar iniciado em 1964, o jornal cita repressão, vigilância e violações de direitos humanos, com centenas de mortos e muitos casos de tortura, segundo a Comissão Nacional da Verdade.
Leis e reações internacionais
O jornal observa que, ao contrário de Chile e Argentina, que processaram responsáveis por regimes militares, o Brasil aprovou uma lei de anistia que dificultou punições semelhantes. Após a redemocratização, o país criou legislações para evitar novos golpes, restringindo discursos antidemocráticos e criminalizando conspirações contra o Estado. Essas normas fundamentam as acusações contra Bolsonaro e seus supostos conspiradores.
A reportagem destaca ainda que a aplicação rigorosa dessas leis provocou críticas não só de Trump, mas também de outros líderes da direita global, que acusam o Judiciário brasileiro de censura ilegal. Segundo o Washington Post, independentemente do desfecho do julgamento, a direita radical continuará sendo uma força expressiva no cenário político brasileiro.