O Banco do Brasil tornou-se alvo de uma campanha de notícias falsas em grupos de WhatsApp na segunda quinzena de agosto, segundo levantamento da Palver. As mensagens sugeriam risco de falência devido a sanções dos EUA, gerando pânico entre clientes e mobilizando autoridades. A AGU acionou a Polícia Federal para investigar a origem e o objetivo das publicações, que buscavam, segundo o órgão, desestabilizar o sistema financeiro nacional.
Escalada das mensagens alarmistas
O monitoramento da Palver identificou que a onda de mensagens sobre o Banco do Brasil começou em 14 de agosto, após divulgação de um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no segundo trimestre, 60% menor que o do ano anterior. O resultado abaixo do esperado e o aumento da inadimplência no agronegócio, setor em que o banco é o maior financiador do país, serviram de pano de fundo para as narrativas alarmistas.
O ápice das menções ocorreu em 21 de agosto, coincidindo com notícias de que um cartão de crédito do ministro Alexandre de Moraes teria sido cancelado devido à Lei Magnitsky, sancionada nos EUA, que visa estrangeiros acusados de violações de direitos humanos. Influenciadores bolsonaristas exploraram a situação, sugerindo que o banco poderia ser afetado pelas sanções e estimulando corridas bancárias.
Em resposta, o Banco do Brasil divulgou nota em 19 de agosto reafirmando sua conformidade com a legislação brasileira e internacional. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino, do STF, proibiu a aplicação automática de sentenças e leis estrangeiras no Brasil sem validação judicial local, incluindo a Lei Magnitsky.
Reação institucional e investigação
A AGU, acionada pela Procuradoria do Banco Central, enviou notícia-crime à Polícia Federal em 25 de agosto, destacando a ação articulada para gerar pânico. A nota do banco alertou para medidas legais contra declarações enganosas e a AGU apontou perfis de deputados federais e influenciadores como propagadores da desordem financeira.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou que os ataques ao banco foram promovidos por bolsonaristas nas redes sociais. Bancários e sindicatos também reagiram, realizando protesto em São Paulo para defender a reputação e a soberania do banco.
Desinformação e impactos no sistema financeiro
Segundo Lucas Cividanes, cientista de dados da Palver, as mensagens tinham como objetivo principal causar pânico, explorando o medo do público em relação à estabilidade financeira, como já visto em crises passadas. Entre 28 de julho e 26 de agosto, 53% das mensagens monitoradas eram favoráveis às sanções ao banco, enquanto 30% defendiam a instituição.
O episódio foi comparado à crise do Pix em janeiro, quando o governo precisou revogar uma regra da Receita Federal após boatos de taxação se espalharem. O ministro Haddad afirmou que o recuo atrasou a fiscalização sobre fintechs ligadas ao crime organizado.
Entre os perfis citados pela AGU estão os deputados Gustavo Gayer e Eduardo Bolsonaro, além do advogado Jeffrey Chiquini, que defendeu sua mensagem como legítima orientação de investimento. A AGU, porém, reforçou que fomentar corridas bancárias evidencia interesse em gerar caos no sistema financeiro nacional.
O Banco do Brasil afirmou que tomará todas as medidas legais para proteger sua reputação, clientes e funcionários, e que não tolerará declarações enganosas.