Economia

Setor de serviços alcança recorde de trabalhadores mas salários médios recuam segundo IBGE

Emprego cresce no setor de serviços em 2023 mas remuneração média cai e Sudeste mantém liderança em receita e salários

O setor de serviços brasileiro registrou recorde no número de trabalhadores em 2023, segundo dados do IBGE divulgados em 27 de agosto de 2025.

Apesar do aumento no emprego, a remuneração média teve avanço tímido, caindo de 2,4 para 2,3 salários-mínimos. O Sudeste lidera em receita e salários, enquanto o Nordeste apresenta os menores valores.

Crescimento do emprego e remuneração

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o setor de serviços atingiu o maior número de trabalhadores da série histórica em 2023, com 15,2 milhões de pessoas ocupadas — um aumento de 17,2% em relação a 2014. Em comparação a esse ano, foram 2,2 milhões de vagas a mais.

O setor destinou R$ 592,5 bilhões ao pagamento de salários, retiradas e outras formas de remuneração, mais que o dobro dos R$ 287,7 bilhões de 2014. No entanto, a remuneração média mensal dos trabalhadores caiu de 2,4 para 2,3 salários-mínimos, com redução observada na maior parte dos segmentos.

Desconcentração e distribuição regional

A concentração de mercado, medida pelo R8, caiu de 9,5% em 2014 para 6,6% em 2023, mostrando maior pulverização do setor. Atividades como tecnologia da informação e serviços auxiliares financeiros ampliaram participação na receita, enquanto telecomunicações e transporte rodoviário de passageiros perderam espaço.

O Sudeste concentrou 64,4% da receita bruta, seguido pelo Sul (14,9%) e Nordeste (10,1%). O Centro-Oeste e Norte tiveram as menores participações, com 7,9% e 2,7%. O Sudeste também liderou em remuneração média (2,6 salários-mínimos), enquanto o Nordeste ficou com o menor valor (1,6 salários-mínimos).

Segmentos e desafios do setor

Os segmentos de serviços de informação, comunicação e atividades administrativas foram destaque no crescimento do emprego. Apesar da queda de funcionários em 2020 devido à pandemia de Covid-19, os serviços de alimentação mantiveram liderança em número de empregos ao longo da série histórica.

Em 2023, 47% da mão-de-obra estava concentrada em cinco atividades principais. O cenário evidencia desafios para a valorização salarial, sugerindo a necessidade de políticas que promovam melhores condições de trabalho e remuneração.

O IBGE destaca que, mesmo com a expansão do emprego, o avanço salarial permanece limitado, reforçando a importância de equilibrar crescimento do setor com ganhos reais para os trabalhadores.