Daniel Zonshine deixou o posto de embaixador de Israel no Brasil há cerca de duas semanas. O governo israelense indicou Gali Dagan para sucedê-lo, mas o nome não recebeu aval do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. A tendência é que a representação israelense permaneça sob comando de um encarregado de negócios, refletindo o distanciamento diplomático entre os países.
Segundo integrantes da diplomacia de Israel, a saída de Daniel Zonshine e a ausência de aprovação para o novo indicado, Gali Dagan, demonstram o esfriamento das relações entre os dois países. O distanciamento se agravou em 2024, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou as ações de Israel em Gaza ao regime nazista de Adolf Hitler. A declaração foi recebida de forma negativa pelo governo de Benjamin Netanyahu.
Na ocasião, o então chanceler israelense, Israel Katz, levou o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, ao Museu do Holocausto, gesto interpretado pelo governo brasileiro como tentativa de humilhação. Como resposta, Lula chamou Meyer de volta a Brasília e manteve a embaixada em Tel Aviv sob comando de um encarregado de negócios, sinalizando insatisfação com Netanyahu.
Desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023, o governo brasileiro tem defendido cessar-fogo permanente e entrada de ajuda humanitária para palestinos. Discursos oficiais do Brasil acusam o governo Netanyahu de “genocídio” e “carnificina” em Gaza, além de afirmar que as tropas israelenses agem como “colonos”.
O assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou à TV Globo que não houve veto formal ao nome de Gali Dagan, mas que o Itamaraty deixou o pedido sem resposta, como reação ao tratamento dado a Frederico Meyer.
Resposta do Itamaraty e repercussão
Diplomatas brasileiros informaram à TV Globo que o Itamaraty avalia responder publicamente à mensagem publicada por Israel Katz, ministro da Defesa de Israel, que chamou Lula de “antissemita apoiador do Hamas” e o associou ao Irã. Segundo avaliação interna, Katz “passou do tom” em relação ao presidente brasileiro e ao país.
O episódio reforça o clima de tensão diplomática e a tendência de manutenção das embaixadas sob comando de encarregados, tanto em Brasília quanto em Tel Aviv, sem previsão de normalização das relações ou nomeação de novos embaixadores titulares.