O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (25), no Palácio do Planalto, o presidente da Nigéria, Bola Tinubu. O objetivo principal foi fortalecer relações bilaterais e ampliar negócios, especialmente após o aumento de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros.
O encontro também abordou cooperação em setores estratégicos como energia, agricultura e tecnologia, além de temas internacionais e busca de novos mercados para exportação.
Parceria econômica e comercial
Durante a reunião, Lula e Bola Tinubu discutiram oportunidades de investimentos e cooperação em áreas estratégicas. Os dois líderes destacaram a importância de ampliar o comércio entre Brasil e Nigéria, visando desenvolvimento sustentável e geração de empregos. Em 2024, o comércio bilateral somou US$ 2 bilhões. As exportações brasileiras para a Nigéria em 2023 chegaram a US$ 978,5 milhões, com destaque para açúcares e melaços (74%), álcoois e derivados (5,7%) e outros produtos industriais e agrícolas. Por outro lado, as importações brasileiras da Nigéria atingiram US$ 1,1 bilhão, incluindo adubos e fertilizantes (48%), óleos combustíveis e petróleo bruto (48%) e gás natural (2,3%).
Agenda internacional e busca por alternativas
Além dos temas econômicos, os presidentes abordaram cooperação em fóruns multilaterais e desafios globais, como mudanças climáticas e segurança alimentar. A aproximação com a África é estratégica para o Brasil, principalmente após o tarifaço imposto pelos EUA, que elevou as taxas de entrada de produtos brasileiros para 50%, enquanto a Nigéria mantém 15%.
Aproximação com a África e novos mercados
A estratégia do governo brasileiro inclui retomar o diálogo com países africanos e buscar alternativas para compensar as perdas no mercado norte-americano. Em julho, Lula e Tinubu já haviam se reunido à margem da cúpula do Brics, quando reforçaram o interesse em ampliar negócios e cooperação, com destaque para a atuação da Embrapa como referência em inovação agrícola. No mesmo mês, o vice-presidente Geraldo Alckmin liderou uma missão empresarial à Nigéria para captar parcerias econômicas.
Alckmin, que coordena o comitê de resposta ao tarifaço, também participou do fórum empresarial Brasil-Nigéria, realizado em parceria com o Sebrae. Para socorrer empresas afetadas pelas tarifas dos EUA, o governo brasileiro adotou medidas como linhas de crédito e adiamento do pagamento de impostos, além de buscar novos mercados. Lula já conversou com líderes da China, França e Índia, e planeja viagens à Indonésia e Malásia em outubro, além de receber outros chefes de Estado em Brasília.
As visitas e negociações começaram antes do tarifaço, mas já em meio a um cenário de tensões comerciais com os EUA.