O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Daniel Noboa, presidente do Equador, nesta segunda-feira (18) no Palácio do Planalto. A reunião integra a estratégia do governo brasileiro de diversificar parceiros comerciais após o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos. O objetivo é reforçar a integração regional e encontrar novos mercados para produtos nacionais.
Contexto das relações Brasil-Equador
Desde 6 de agosto, os produtos brasileiros enfrentam uma sobretaxa de 50% para entrada nos Estados Unidos, enquanto o Equador foi taxado em 15%. Em resposta, o governo brasileiro intensifica esforços para ampliar o intercâmbio comercial com países vizinhos, buscando alternativas diante das restrições impostas pelo governo de Donald Trump.
Em 2024, o intercâmbio comercial entre Brasil e Equador atingiu US$ 1,09 bilhão. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão papel e cartão, veículos automóveis de passageiros, trigo e centeio não moídos, além de calçados. O Brasil importa do Equador principalmente chumbo, resíduos de metais de base não ferrosos, pescados, crustáceos, moluscos, artigos de confeitaria e produtos plásticos.
Perfil e agenda de Daniel Noboa
Daniel Noboa, de 37 anos, tornou-se presidente do Equador em outubro de 2023 e foi reeleito em abril. Ele é o mais jovem a ocupar o cargo no país. Nascido nos Estados Unidos, Noboa pertence a uma das famílias mais ricas do Equador, proprietária de um império empresarial que inclui uma das maiores exportadoras de bananas do país.
O presidente equatoriano adota uma orientação liberal na economia e tem defendido reformas econômicas e políticas de segurança mais rígidas. O Equador enfrenta aumento da violência ligada ao tráfico de drogas, com crescimento de homicídios, assassinato de candidato à presidência e ataques a instituições, incluindo uma emissora de TV durante transmissão ao vivo.
Noboa, alinhado a Trump em temas econômicos e de segurança, faz sua primeira visita ao Brasil, sinalizando interesse em fortalecer laços bilaterais e regionais.