O governo federal anunciou que 61 países já confirmaram presença na COP30, programada para novembro em Belém. Apesar do avanço, permanece o impasse sobre os custos de hospedagem, com valores acima do subsídio oferecido pela ONU para delegações de países pobres.
Enquanto negociações seguem, o Brasil recusa arcar com subsídios adicionais e busca alternativas para viabilizar a participação de todos os países convidados.
Confirmações e desafios logísticos
Entre os países confirmados para a COP30 estão Japão, Espanha, Noruega, Portugal, Arábia Saudita, Egito, República Democrática do Congo e Singapura. O Panamá garantiu presença com uma comitiva de nove integrantes, enquanto Bahrein e Omã ampliam a representação árabe. Segundo o Ministério do Turismo e a Secretaria Extraordinária para a COP30, mais de 40 confirmações foram feitas pela plataforma oficial do governo, e outros países negociaram diretamente com hotéis e plataformas de hospedagem. Outros 33 países ainda estão em tratativas para viabilizar sua participação.
Apesar do número expressivo de confirmações, a preparação do evento é marcada por incertezas, especialmente em relação à hospedagem. A ONU pressiona o Brasil para subsidiar diárias de delegações de países pobres, já que o valor atual pago pela organização — US$ 140, cerca de R$ 756 — não cobre os custos em Belém, onde as diárias mais baixas na plataforma oficial do evento giram em torno de US$ 350 (quase R$ 2 mil).
Negociações e propostas
Segundo a Casa Civil e a Secretaria Extraordinária para a COP30, delegações continuam demandando que a ONU aumente o subsídio de diárias para Belém. Paralelamente, a ONU solicitou que o governo brasileiro ajudasse a custear parte das hospedagens para países em desenvolvimento, proposta recusada pelo Brasil. A secretária executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou: “O governo brasileiro se posicionou dizendo que já está arcando com custos significativos para a realização da COP. Por isso, não há como arcar com subsídio para delegações de outros países”.
O governo pretende realizar uma força-tarefa para acelerar novas confirmações, com um grupo técnico dedicado a identificar as principais dificuldades das delegações e buscar alternativas. Segundo Valter Correia da Silva, secretário extraordinário da COP30, há 33 mil quartos individuais disponíveis, número superior ao solicitado pela ONU, que era de 24 mil. “O nosso problema é trazer isso a valores compatíveis com o poder aquisitivo”, explicou.
Polêmica sobre custos de hospedagem
O preço das hospedagens segue como principal desafio para a realização da COP30 em Belém. O menor valor disponível na plataforma oficial do governo federal é de US$ 350, aproximadamente R$ 1,9 mil por diária. A maioria das hospedagens na cidade é particular e não integra a rede hoteleira tradicional, o que dificulta a regulação dos preços.
O governo informou que tem solicitado investigações sobre possíveis abusos, mas destaca os limites de intervenção no setor privado. “Somos uma democracia, temos limites de intervenção no setor privado. (…) Estamos negociando no limite para que os preços possam baixar em Belém”, declarou Miriam Belchior. Em fevereiro e março, a rede hoteleira foi procurada para firmar um termo de ajustamento de conduta (TAC) que estipulasse o preço máximo igual ao praticado durante o Círio de Nazaré, cerca de três vezes o valor normal. No entanto, não houve acordo final entre as partes.
Apesar dos esforços, o governo afirma que continuará buscando alternativas para viabilizar a participação de delegações de países em desenvolvimento, inclusive tentando encontrar subsídios sem uso de recursos públicos, e reforça que a ONU também deveria reconsiderar o valor do subsídio oferecido.