A sétima carta da presidência brasileira da COP30, divulgada nesta quinta-feira (28), destaca o setor privado como elemento-chave para acelerar a implementação do Acordo de Paris. O documento, assinado pelo presidente da conferência, André Corrêa do Lago, pede protagonismo das empresas na transição para uma economia de baixo carbono e reforça a necessidade de planos de ação consistentes.
A carta propõe mecanismos como garantias soberanas, títulos verdes e regulação flexível, além de novas formas de arrecadação, como taxação de carbono. O objetivo é transformar compromissos em resultados concretos, aproximando políticas de investimentos e inovação tecnológica.
Empresas e o novo pacto climático
O documento divulgado por André Corrêa do Lago enfatiza que a transição climática é irreversível e que empresas que se anteciparem às mudanças poderão prosperar, construindo resiliência e aproveitando oportunidades. Segundo o embaixador, a COP30 deve ser lembrada como marco de implementação, não apenas de negociação, e o setor privado precisa deixar de lado compromissos genéricos para adotar planos robustos.
Na coletiva, Corrêa do Lago destacou que o Brasil busca uma agenda concreta para mostrar avanços práticos, defendendo a participação de estados, municípios, universidades, sociedade civil e indivíduos na construção de soluções climáticas. Ana Toni, presidente-executiva da conferência, reforçou a revisão do pacto público-privado e a necessidade de condições concretas para empresas implementarem projetos, embora ainda não haja definição sobre fiscalização dos resultados.
Cartas da COP: transparência e inclusão
As cartas da presidência são endereçadas à comunidade internacional, incluindo empresários, artistas e líderes comunitários, e funcionam como mecanismos de transparência e inclusão de vozes marginalizadas. Desde março, já foram divulgadas seis cartas anteriores, abordando temas como mutirão global, governança, redução de burocracia e centralidade da ação climática nas pessoas.
Desafios de financiamento e credibilidade
Corrêa do Lago reconheceu que o maior desafio da COP30 será restaurar a credibilidade das promessas de financiamento climático. Ele citou que existem quase 500 compromissos, mas poucos são lembrados ou cumpridos. Em 2009, países ricos prometeram US$ 100 bilhões anuais até 2020 para apoiar países em desenvolvimento, mas a meta nunca foi totalmente atingida, chegando a US$ 83,3 bilhões em 2023.
Na última COP29, foi aprovado um novo alvo de US$ 300 bilhões anuais até 2035, mas a proposta foi criticada por redes da sociedade civil, como o Climate Action Network (CAN), que consideraram o valor insuficiente diante dos impactos da crise ambiental. Para responder a esses desafios, Brasil e Azerbaijão lançaram o “roteiro Baku–Belém”, propondo elevar o financiamento para US$ 1,3 trilhão anuais, combinando fontes públicas, privadas e mecanismos de garantias, com foco em adaptação e reparação de perdas e danos.
O plano também prevê a criação de plataformas nacionais para canalizar recursos diretamente a projetos locais e sugere a taxação de carbono e o redirecionamento de subsídios de indústrias poluentes como novas formas de arrecadação. As cartas da presidência criam responsabilidade ao transformar intenções em compromissos cobrados na conferência, reforçando a necessidade de resultados concretos.