Meio ambiente

Pesquisadores da Amazônia entregam carta com propostas ambientais à Janja e COP30

Documento reúne soluções regionais para desafios ambientais e foi apresentado em encontro na Ufam em Manaus

Pesquisadores da Amazônia entregaram uma carta estratégica à presidência da COP30 e à primeira-dama Janja nesta quarta-feira (20), em Manaus.

O documento, apresentado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), reúne soluções concretas para desafios ambientais da região.

Elaborada desde terça-feira (19), a carta destaca a urgência de alinhar educação, inovação e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável amazônico.

Principais pontos do documento

A carta entregue por pesquisadores destaca que a Amazônia Legal conta com 405 instituições de ensino e mais de 655 cursos de pós-graduação, formando cerca de 100 mil profissionais por ano. No entanto, muitos desses profissionais enfrentam dificuldades para atuar em áreas sustentáveis, devido à falta de alinhamento entre formação, inovação e políticas públicas.

O documento foi estruturado a partir de seis eixos temáticos da COP30: transição energética, gestão de florestas e biodiversidade, transformação da agricultura, resiliência urbana e hídrica, desenvolvimento humano e objetivos transversais, como financiamento climático, bioeconomia e inovação tecnológica.

Soluções propostas

Entre as propostas, destacam-se projetos de energia solar, biomassa, hidrogênio verde e microgeração descentralizada para comunidades isoladas. Na gestão ambiental, há programas de restauração florestal, combate ao desmatamento e tecnologias para manejo sustentável com participação de comunidades indígenas.

Para a agricultura, o foco está em sistemas agroflorestais, segurança alimentar e valorização de produtos da sociobiodiversidade. No eixo urbano, as soluções abrangem arquitetura bioclimática, infraestrutura verde, gestão integrada das águas e mobilidade sustentável adaptada à região.

Na área da saúde, a carta propõe adaptação dos sistemas às mudanças climáticas, vigilância epidemiológica integrada a dados ambientais, formação para empregos verdes e promoção da bioeconomia por meio de inovação e empreendedorismo.

Desafios e recomendações

O documento aponta obstáculos como falta de orçamento, logística precária, entraves legais e a pouca valorização dos saberes tradicionais. Para superar esses desafios, recomenda-se investimento contínuo em ciência e tecnologia, modernização de laboratórios e centros de dados, financiamento à bioeconomia e agroecologia, qualificação de recursos humanos, cooperação internacional e valorização dos conhecimentos locais.

A carta reafirma o papel protagonista da Amazônia na luta global contra as mudanças climáticas e defende que a implementação da política climática brasileira seja liderada por suas populações e instituições. A contribuição foi entregue à presidência da COP30, ao governo federal e às representantes da Amazônia no comitê científico da conferência.

O documento conclui: “A ciência amazônica está pronta para acelerar a implementação do Acordo de Paris e garantir justiça climática para as populações da floresta, das águas e das cidades”.