Lindbergh Farias, líder do PT, admitiu nesta quarta-feira (20) que o governo errou na articulação política e subestimou a oposição ao perder o comando da CPMI do INSS no Congresso Nacional.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), da oposição, foi eleito presidente da comissão, surpreendendo a base governista e levando a ministra Gleisi Hoffmann a cobrar mais mobilização dos aliados.
Falha na articulação e reação do governo
Segundo Lindbergh Farias, o governo acreditava que, por ter maioria na comissão, assumiria naturalmente a presidência da CPMI do INSS. No entanto, a ausência de deputados da base permitiu que a oposição colocasse suplentes para votar, garantindo a vitória de Carlos Viana. “Houve uma subestimação da oposição, podíamos ter tido uma mobilização, mais atenção. Houve um erro”, afirmou o líder do PT.
Após a derrota, a ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, convocou uma reunião de emergência com líderes do governo e integrantes do PT para cobrar explicações e reforçar a necessidade de articulação mais forte entre Senado e Câmara. Lindbergh relatou: “Ela fez uma cobrança, de que temos que estar mais ligados, os líderes têm que estar ligados, a articulação entre Senado e Câmara estar mais forte”.
Apesar da derrota, Lindbergh minimizou o impacto imediato, ressaltando que o governo ainda detém maioria na comissão e não teme o funcionamento da CPMI: “Não temos medo da CPMI, queremos que as coisas sejam transparentes”.
Oposição assume comando da CPMI
Na instalação da CPMI, o governo não conseguiu aprovar o nome do senador Omar Aziz (PSD-AM) para a presidência, sendo derrotado por 17 votos a 14 pelo oposicionista Carlos Viana. Viana indicou como relator o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), também da oposição, frustrando a tentativa do governo de emplacar Ricardo Ayres (Republicanos-PB) no cargo.
Com a presidência e relatoria sob controle da oposição, a CPMI, que investigará descontos indevidos em aposentadorias do INSS, pode gerar desgaste adicional ao governo. Gaspar, alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, já foi relator de propostas polêmicas e atribuiu sua escolha à articulação de lideranças oposicionistas, como Antonio de Rueda e Sóstenes Cavalcante.
Carlos Viana justificou a escolha de Gaspar destacando sua “grande experiência curricular” e disse: “Tenho certeza que vai fazer um grande trabalho”.