Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, anunciou nesta segunda-feira a mobilização de 4,5 milhões de milicianos. A medida é uma resposta direta às recentes “ameaças” feitas pelos Estados Unidos, segundo o líder venezuelano.
A Milícia, criada por Hugo Chávez, integra a Força Armada Nacional Bolivariana e terá papel reforçado em fábricas e áreas rurais, conforme orientou Maduro.
Reforço das milícias e reação política
O anúncio de Maduro ocorre em meio a uma escalada de tensões com os Estados Unidos. O presidente agradeceu o apoio recebido e classificou as ameaças como uma “repetição podre”. Ele orientou as bases políticas do governo a intensificarem a formação de milícias camponesas e operárias, especialmente “em todas as fábricas”.
A Milícia foi criada pelo ex-presidente Hugo Chávez e, posteriormente, incorporada como um dos cinco componentes da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), ampliando a estrutura de defesa do país.
Recompensas e acusações dos EUA
No início de agosto, o governo Trump elevou para US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro. Em janeiro, já sob o governo Biden, os EUA divulgaram um cartaz oferecendo US$ 25 milhões pela mesma finalidade.
Segundo a administração Trump, o valor foi dobrado por considerar Maduro uma ameaça à segurança nacional dos EUA e “um dos maiores narcotraficantes do mundo”.
Reação das autoridades venezuelanas
Após o anúncio do aumento da recompensa, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino Lopez, foi à TV para rebater as acusações norte-americanas. Ele classificou as declarações dos departamentos de Estado e Justiça dos EUA como “tolas”.
Além de Maduro, Lopez e Diosdado Cabello Rondón, ministro do Interior, Justiça e Paz, também tiveram recompensas fixadas pelos EUA.
Para Lopez, as ofertas americanas representam interferência e violam o direito internacional e o princípio da autodeterminação dos povos. Ele as chamou de “fantasiosas, ilegais e desesperadas, ao melhor estilo faroeste de Hollywood”.
“O cinismo do governo americano não tem limites, querem nos dar lições de democracia quando seu próprio governo desrespeita sistematicamente suas próprias leis, governando arbitrária e caprichosamente”, criticou Lopez em rede nacional.