Aliados de Jair Bolsonaro solicitaram à Casa Branca um prazo de três semanas para aprovar uma agenda anti-STF no Congresso brasileiro. O grupo condiciona a redução das tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil à aprovação da anistia, que faz parte do pacote negociado.
A expectativa é que a Lei Magnitsky seja aplicada aos ministros do Supremo que votarem contra Bolsonaro, cujo julgamento está marcado para setembro.
Negociações e estratégias no Congresso
O núcleo bolsonarista com interlocução na Casa Branca busca aprovar no Congresso brasileiro um pacote de medidas que visa limitar o poder do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as propostas estão a PEC das prerrogativas, que exige autorização da Câmara ou do Senado para que deputados sejam processados ou investigados criminalmente, e a mudança no foro privilegiado para retirar do STF processos contra parlamentares e, possivelmente, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro ponto central do pacote é a anistia, destinada a absolver condenados e investigados pelos atentados de 8 de janeiro, incluindo Bolsonaro e outros envolvidos na trama golpista. Segundo fontes de bastidores, o grupo bolsonarista argumenta que a redução das tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil depende da aprovação dessa anistia.
O prazo de três semanas foi solicitado porque corresponde ao tempo que antecede o julgamento de Bolsonaro no STF, previsto para 2 de setembro. O grupo acredita que, caso Bolsonaro seja condenado, a Lei Magnitsky poderá ser estendida a todos os ministros que votarem pela condenação.
Atuação internacional e bastidores
Enquanto aguardam avanços no Congresso, o núcleo bolsonarista em Washington, liderado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo empresário Paulo Figueiredo, trabalha para ampliar a aplicação da Lei Magnitsky, já imposta ao ministro Alexandre de Moraes. Um dos objetivos é incluir familiares de Moraes na lista de sancionados.
Encontro com secretário do Tesouro dos EUA
Na semana passada, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo se reuniram com Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano, no mesmo dia em que uma reunião entre Haddad e um representante dos EUA foi cancelada. O encontro durou cerca de uma hora e resultou na entrega de um relatório sobre o suposto descumprimento da Lei Magnitsky por bancos brasileiros.
Após a reunião, Paulo Figueiredo solicitou uma foto, que foi autorizada para divulgação após consulta ao Departamento de Estado dos EUA, representado por Marco Rubio. A imagem foi publicada nas redes sociais de Eduardo e Figueiredo na sexta-feira, 15.