No feriado de 7 de Setembro, apoiadores de Jair Bolsonaro organizaram manifestações em diversas cidades do país para pedir anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro e crimes contra a democracia.
Os protestos, marcados pelo lema “reaja, Brasil”, ocorreram em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com participação de políticos aliados e familiares do ex-presidente.
O STF retoma na terça (9) o julgamento de Bolsonaro, enquanto cresce a pressão sobre o Congresso para votar projetos de anistia.
Manifestações pró-anistia e repercussão política
Em São Paulo, a Avenida Paulista foi palco de uma das maiores mobilizações, com destaque para uma bandeira gigante dos Estados Unidos e cartazes em inglês pedindo ações do ex-presidente Donald Trump para pressionar o STF. O governador Tarcísio de Freitas discursou, atacou o tribunal e defendeu a candidatura de Bolsonaro em 2026, apesar de sua inelegibilidade até 2030 pelo TSE. Também participaram do ato a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
No Rio de Janeiro, o protesto ocorreu na praia de Copacabana, com a presença do senador Flávio Bolsonaro e do governador Cláudio Castro. Os manifestantes exibiram faixas em defesa da anistia e críticas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro.
Em outras capitais, como São Luís, Brasília, Uberlândia, Juiz de Fora, Maceió e Goiânia, também houve atos com pedidos de anistia, críticas ao governo Lula e apoio a Bolsonaro. Os eventos foram organizados por lideranças religiosas, como o pastor Silas Malafaia, e parlamentares do PL.
Reação da esquerda e do governo
Movimentos e partidos de esquerda também saíram às ruas, principalmente no Centro de São Paulo, onde 8,8 mil pessoas protestaram contra a anistia e em defesa da soberania nacional, com presença de ministros do governo Lula e deputados federais.
Julgamento no STF e debate sobre anistia no Congresso
O Supremo Tribunal Federal iniciou na última terça (2) o julgamento de Bolsonaro e outros sete réus pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O julgamento, que pode resultar em penas de até 43 anos de prisão para o ex-presidente, deve ser concluído até sexta (12). Bolsonaro está atualmente em prisão domiciliar por violar medidas restritivas e segue inelegível por decisão do TSE.
No Congresso, cresce a pressão para votar um projeto de anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro. O presidente da Câmara, Hugo Motta, ainda não colocou nenhuma proposta em votação, mas aliados de Bolsonaro e partidos do Centrão, como União Brasil e PP, articulam para aprovar a medida. O alcance da possível anistia é tema de debate: há propostas que incluem o ex-presidente e outras que restringem o benefício apenas aos já condenados.
O governo Lula se posiciona contra qualquer tipo de anistia e incentiva mobilização social para barrar a iniciativa. No Senado, discute-se uma proposta alternativa que exclui Bolsonaro e reduz penas dos demais envolvidos.