A bancada do PL na Câmara dos Deputados decidiu priorizar o projeto de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe, articulando sua votação para a próxima terça-feira (2). A data coincide com o início do julgamento de Jair Bolsonaro e outros réus no STF. O líder do partido, Sóstenes Cavalcante, busca apoio de outras legendas e reage ao desgaste causado por propostas anteriores.
Articulação política e reação ao desgaste
O deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL, pretende apresentar o projeto de anistia aos líderes partidários durante reunião marcada para terça-feira (2) na Câmara dos Deputados. A escolha da data não é casual: coincide com o início do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe, processo que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro entre os réus.
O movimento ocorre após Sóstenes demonstrar insatisfação com o desgaste sofrido pelo PL em razão da defesa pública da PEC das prerrogativas e de propostas de mudanças no foro privilegiado. Segundo apuração, o líder do partido anunciou na quinta-feira (28) que essas pautas deixaram de ser prioridade, transferindo a responsabilidade de defendê-las para outros partidos que, segundo ele, também apoiam as medidas.
“Querem ficar fazendo politicagem em cima da direita”, afirmou Sóstenes, ao justificar a mudança de foco da bancada.
Pressão sobre outros partidos e apoio da família Bolsonaro
Sóstenes Cavalcante agora busca pressionar outras legendas a se posicionarem publicamente sobre a anistia e as propostas de mudança no foro privilegiado. Ele alega que a esquerda também apoia essas medidas, mas o ônus político recai apenas sobre o PL.
A estratégia de priorizar a anistia atende aos interesses da família Bolsonaro. O deputado federal Eduardo Bolsonaro comemorou quando o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, relacionou processos contra o ex-presidente brasileiro à taxação de produtos do Brasil em 50%. Em resposta, a oposição sugeriu a anistia como solução para o impasse tarifário, vigente desde 6 de agosto.
Com isso, o PL aposta todas as fichas na aprovação do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e no julgamento do STF, buscando consolidar sua posição política em meio ao cenário de tensão.