A China busca que os Estados Unidos relaxem os controles de exportação sobre chips essenciais à inteligência artificial. A medida é parte das condições para um acordo comercial antes de uma possível cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, segundo o Financial Times.
Os EUA já suspenderam restrições à exportação dos chips H20 para a China, mas autoridades chinesas consideram o modelo da Nvidia insuficiente e levantam preocupações de segurança.
O prazo para um acordo entre os países se encerra em 12 de agosto, com possibilidade de extensão da trégua tarifária por mais 90 dias.
Negociações e demandas chinesas
Segundo o Financial Times, a China condiciona um acordo comercial à liberação de componentes fundamentais para o desenvolvimento de inteligência artificial. O foco está nos chips de alta largura de banda (HBM) e nos chips H20 da Nvidia, criados especialmente para o mercado chinês após restrições impostas pelos EUA no fim de 2023.
O governo Trump inicialmente proibiu a venda dos chips H20 em abril, mas reverteu a decisão em julho após conversas com o CEO da Nvidia, Jensen Huang. A empresa anunciou a retomada das vendas para a China neste mês. Ainda assim, uma conta ligada à emissora estatal CCTV criticou os chips H20 por não serem tecnologicamente avançados nem ambientalmente sustentáveis, afirmando: “Quando um tipo de chip não é ecologicamente correto, nem avançado, nem seguro, como consumidores certamente temos a opção de não comprá-lo”.
Autoridades chinesas também manifestaram a especialistas em Washington o desejo de que o governo Trump alivie restrições sobre chips HBM. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, liderou três rodadas de negociações recentes, enquanto o vice-premiê He Lifeng chefiou a equipe chinesa. O Tesouro dos EUA não comentou as tratativas.
Trégua tarifária e histórico de tensões
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que o governo deve estender a trégua tarifária com a China por mais 90 dias, além do prazo de 12 de agosto. Desde 2022, após medidas de Joe Biden para dificultar o acesso chinês a chips avançados, as restrições se intensificaram, impactando empresas como a Huawei e a SMIC.
Guerra tarifária recente
A guerra tarifária entre as duas maiores economias do mundo ganhou força após o anúncio de novas tarifas por Trump em abril. A China foi alvo de uma tarifa de 34%, somando-se a 20% já existentes. Em resposta, Pequim impôs tarifas extras de 34% sobre importações americanas. Trump ameaçou aumentar as tarifas para 104% caso a China não recuasse, o que não ocorreu. As tarifas subiram progressivamente até 145% dos EUA para a China e 125% da China para produtos americanos, numa escalada de retaliações.
Apesar das tensões, Trump anunciou uma “pausa” no tarifaço para outros países, mas manteve a China como exceção, elevando ainda mais a taxação sobre produtos chineses.