Meio ambiente

Meta de limitar aquecimento global a 1 5°C desafia comunidade internacional

Acordo de Paris estabeleceu em 2015 o teto de 1 5°C para evitar efeitos mais graves das mudanças climáticas

Limitar o aquecimento global a 1,5°C é a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, firmado em 2015 por quase 200 países. O objetivo é evitar impactos severos das mudanças climáticas, como eventos extremos e perda de biodiversidade.

Estudos científicos mostram que ultrapassar 1,5°C aumenta significativamente os riscos para o meio ambiente e a sociedade. Em 2024, o planeta já atingiu 1,6°C, levantando dúvidas sobre a viabilidade da meta.

Por que 1,5°C foi definido como limite

A meta de 1,5°C surgiu após estudos indicarem que esse valor representava um “limite seguro” para evitar os efeitos mais devastadores das mudanças climáticas, como secas intensas, colapso de ecossistemas, aumento do nível do mar e impactos graves à saúde humana. Relatórios do IPCC mostraram que, mesmo com 1,5°C, já haveria perdas consideráveis, mas que os impactos seriam muito piores com 2°C ou mais.

O limite foi definido no Acordo de Paris como uma forma de preservar o futuro de bilhões de pessoas, especialmente nas regiões mais vulneráveis. A diferença entre 1,5°C e 2°C, embora pareça pequena, implica grandes consequências para ecossistemas, agricultura, saúde e infraestrutura.

Consequências do aquecimento acima de 1,5°C

Ultrapassar 1,5°C pode acarretar aumento na frequência e intensidade de ondas de calor, secas prolongadas, inundações e furacões mais fortes. Há também risco de maior perda de habitats naturais, extinção de espécies e ameaça à segurança alimentar e aos recursos hídricos. Estudos publicados nas revistas Nature Climate Change e Nature Communications sugerem que até mesmo 1,5°C pode não ser suficiente para evitar o degelo polar.

Em 2024, o mundo já registrou 1,6°C de aquecimento, e cientistas avaliam se esse valor representa um novo padrão ou um evento pontual.

Desafios e perspectivas para limitar o aquecimento

Para conter o aquecimento em 1,5°C, seria necessário cortar emissões de gases de efeito estufa com rapidez e profundidade, exigindo mudanças profundas em energia, transporte, indústria e uso do solo. O financiamento climático, transferência de tecnologia e apoio a comunidades vulneráveis são considerados essenciais para o sucesso da meta.

Segundo relatório da ONU, mesmo no cenário mais otimista, a chance de limitar o aquecimento global a 1,5°C é de apenas 14%. Os compromissos atuais dos países são insuficientes e, se mantidos, podem levar a um aquecimento médio entre 2,5°C e 2,9°C até o fim do século.

O agravamento do aquecimento global pode intensificar eventos extremos, como ondas de calor, inundações, secas e colapsos alimentares. Estima-se que mais de 230 milhões de pessoas possam ser afetadas pela elevação do nível do mar, especialmente em regiões costeiras.

A ciência alerta: cada fração de grau importa. A realidade atual exige metas ainda mais ambiciosas e ação imediata para mitigar os impactos, reduzindo drasticamente a queima de combustíveis fósseis e financiando a adaptação dos países mais pobres. Ultrapassar o limite de 1,5°C pode levar o planeta a um ponto de não retorno.

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