As negociações comerciais entre Índia e Estados Unidos fracassaram, após cinco rodadas de conversas marcadas por divergências sobre tarifas e políticas comerciais. O impasse resultou na imposição de tarifas adicionais, frustrando expectativas de um acordo que ampliaria o comércio bilateral e impactando diretamente os setores estratégicos dos dois países.
O governo indiano esperava anúncio de acordo até 1º de agosto, mas enfrentou tarifas de 25% sobre produtos indianos e penalidades para importações de petróleo da Rússia. O Brasil acompanha os desdobramentos e planeja acionar a OMC contra tarifas americanas.
Desentendimentos e excesso de confiança
Apesar do interesse mútuo em fortalecer as relações comerciais, as negociações entre Índia e Estados Unidos foram prejudicadas por desentendimentos sobre tarifas e regras de importação e exportação. Autoridades indianas chegaram a indicar à imprensa que as tarifas poderiam ser limitadas a 15%, mas a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos indianos surpreendeu Nova Délhi.
O primeiro-ministro Narendra Modi comprometeu-se a buscar um acordo até o outono de 2025 e a dobrar o comércio bilateral para US$ 500 bilhões até 2030. A Índia prometeu adquirir até US$ 25 bilhões em energia dos EUA e ampliar importações de defesa, mas endureceu sua postura em temas sensíveis como agricultura e laticínios.
Segundo uma autoridade indiana, “somos uma das economias que mais crescem no mundo, e os EUA não podem ignorar um mercado de 1,4 bilhão de pessoas”. O endurecimento das posições ocorreu após Trump fechar acordos mais vantajosos com Japão, União Europeia e Coreia do Sul, que obteve tarifa de 15% ao oferecer US$ 350 bilhões em investimentos e concessões em energia, arroz e carne bovina.
Falhas de comunicação e repercussão
Entrevistas com autoridades revelaram que, apesar de entendimento técnico sobre a maioria dos pontos, faltou uma linha direta de comunicação entre Trump e Modi. Comentários de Trump sobre o Paquistão e a ausência de contato direto agravaram o impasse. Uma autoridade indiana afirmou: “Estamos enfrentando uma crise que poderia ter sido evitada”.
Impactos e próximos passos
O fracasso nas negociações pode afetar negativamente a economia indiana, que buscava ampliar acesso ao mercado americano, e os EUA, que pretendiam conter a influência da China. O Brasil observa o cenário, pois pode ser impactado por sanções ou tarifas adicionais dos EUA.
O governo brasileiro anunciou que acionará a OMC para proteger exportadores nacionais diante do ‘tarifaço’. Enquanto isso, uma delegação americana deve visitar Délhi no fim do mês, e autoridades indianas avaliam ceder em pontos agrícolas e de laticínios para tentar retomar o diálogo.
Segundo Mark Linscott, ex-representante comercial dos EUA, “ainda há um potencial real para um acordo comercial vantajoso para todos”. A expectativa é que uma conversa direta entre Modi e Trump possa destravar as negociações e evitar prejuízos maiores para ambos os lados.