A poucos dias do término da trégua tarifária de 90 dias iniciada por Donald Trump, os Estados Unidos fecharam apenas dois acordos comerciais, excluindo o Brasil da lista de beneficiados.
O prazo para negociações das tarifas recíprocas, previsto para 9 de julho, ainda não está totalmente definido, segundo Trump.
Especialistas alertam para possíveis impactos negativos na economia brasileira e no setor siderúrgico devido à ausência do Brasil nos acordos.
Avanço limitado dos acordos americanos
Desde o anúncio das tarifas em abril, os Estados Unidos firmaram apenas dois acordos comerciais: um com o Reino Unido, anunciado no início de maio, que realinhou cotas e reduziu tarifas sobre produtos importados; e outro com a China, alcançado após meses de impasse, mas ainda pendente de aprovação formal pelos líderes dos dois países.
Esses acordos representam avanços na política tarifária de Donald Trump, mas não contemplam a maioria dos mais de 180 países afetados pelas medidas anunciadas em abril. Diversos países, como Índia, Canadá, Taiwan, Austrália, Paquistão, México, União Europeia, Suíça, Itália, Alemanha e Tailândia, seguem negociando com os EUA.
Pressão internacional e negociações em andamento
Durante a última cúpula do G7, líderes das principais economias buscaram avançar em seus próprios acordos, mas Trump deixou a reunião antes do fim devido a tensões no Oriente Médio. O Vietnã manifestou esperança de concluir um acordo antes do fim da suspensão das tarifas, enquanto a União Europeia discute estratégias para obter condições mais vantajosas, incluindo a preparação de tarifas retaliatórias.
Consequências para o Brasil
O Brasil não foi um dos países mais impactados pelas tarifas, enfrentando uma alíquota de 10%, mas segue sujeito às tarifas sobre aço e alumínio, elevadas de 25% para 50% por decreto de Trump. O aço brasileiro é estratégico para as exportações nacionais, tornando as medidas especialmente sensíveis para o setor siderúrgico e empresas com forte presença internacional.
Especialistas destacam a necessidade de negociações bilaterais mais intensas, envolvendo o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), para buscar cotas preferenciais ou isenções tarifárias ao aço brasileiro. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin defendeu o aprofundamento do diálogo com os EUA, citando a criação de um grupo de trabalho bilateral com representantes americanos.
O MDIC informou que as negociações começaram em março, com diversas reuniões presenciais e virtuais, mas não divulgou detalhes para não prejudicar o processo. O ministério reforçou o compromisso com os exportadores brasileiros e destacou a importância estratégica da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, ressaltando o caráter complementar e o superávit americano no intercâmbio bilateral.