Política

Alcolumbre reafirma que não cederá a chantagens durante protesto no Senado

Presidente do Senado enfrenta ocupação de plenário por bolsonaristas e mantém postura firme diante de ameaças

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou nesta quarta-feira (6) que não aceitará chantagens ou ameaças, em meio à ocupação do plenário por senadores bolsonaristas. O protesto, iniciado na terça-feira (5), bloqueia os trabalhos legislativos e levou ao cancelamento de sessões.

Alcolumbre reuniu líderes na Residência Oficial para tentar desocupar a Mesa, mas oposicionistas recusaram participar da reunião conjunta. A mobilização ocorre em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ocupação do plenário e reações

Desde terça-feira (5), parlamentares aliados a Jair Bolsonaro ocupam as cadeiras das mesas do Senado e da Câmara dos Deputados, impedindo a realização de sessões. O movimento, que se estendeu durante toda a noite e início da tarde de quarta, foi marcado por revezamento entre deputados e senadores bolsonaristas.

No Senado, o senador Magno Malta (PL-ES) chegou a se acorrentar à mesa diretora, permanecendo no local desde a manhã de terça-feira, antes mesmo do anúncio formal da mobilização. Malta posou para fotos com colegas e segue ocupando o espaço, simbolizando a resistência do grupo.

Em meio ao impasse, uma sessão solene de abertura da cúpula sobre mudanças climáticas com parlamentares da América Latina e do Caribe precisou ser transferida para um auditório distante do edifício principal do Congresso.

Parlamentares da base governista criticaram a mobilização, alertando para o risco de atrasos em pautas importantes devido ao bloqueio dos trabalhos legislativos.

Desdobramentos e impacto legislativo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou durante a reunião com líderes: “Não vou aceitar ser ameaçado e o Senado voltará a funcionar. Não vou aceitar chantagem. Não abrirei mão de minhas prerrogativas.” A oposição se recusou a participar da reunião conjunta, exigindo um encontro separado com o presidente.

Devido à ocupação, tanto Alcolumbre quanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cancelaram as sessões marcadas para terça-feira (5). O bloqueio dos trabalhos preocupa especialmente por conta do prazo para votação da medida provisória que reajusta a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos. O texto, já aprovado pela Câmara por meio de projeto de lei substitutivo, precisa ser votado no Senado antes de 11 de agosto, quando a MP perde validade.

O impasse evidencia o clima de tensão entre governistas e oposicionistas, com repercussão direta no andamento das atividades do Congresso Nacional.