Geraldo Alckmin, vice-presidente e ex-governador de São Paulo, comentou nesta quinta-feira (31) sobre os efeitos do tarifaço dos EUA a produtos brasileiros. Em entrevista ao programa Mais Você, ele disse que a medida pode favorecer a queda dos preços de alimentos no Brasil, especialmente itens como arroz, feijão, óleo de soja e algumas frutas.
Alckmin destacou que a redução das tarifas de importação e a concorrência podem beneficiar consumidores, principalmente famílias de baixa renda. Ele ressaltou que negociações com os EUA ainda estão em andamento.
Possíveis efeitos do tarifaço sobre os preços
Durante a entrevista ao programa de Ana Maria Braga, Alckmin explicou que a tarifa de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros não afeta diretamente o consumidor brasileiro, pois a sobretaxa será paga por empresas americanas. No entanto, ele apontou que pode haver impactos indiretos no mercado interno, caso as vendas para os EUA diminuam.
O vice-presidente afirmou que, se os compradores americanos evitarem pagar mais caro pelos alimentos brasileiros, a queda nas exportações pode aumentar a oferta desses produtos no Brasil, pressionando os preços para baixo. “É difícil, peremptoriamente, afirmar, mas é óbvio que você vai ter que colocar mais desses produtos aqui dentro”, disse Alckmin.
Entre os alimentos citados, ele mencionou a tendência de queda nos preços de arroz, feijão, óleo de soja e frutas. Sobre carnes, café, frutas e peixes, Alckmin explicou que os efeitos podem variar conforme o item e o comportamento do mercado.
Análise de especialistas sobre o impacto
Economistas ouvidos pelo g1 avaliam que, no caso da carne, pode haver uma queda inicial nos preços devido à menor demanda dos EUA, mas o valor pode subir posteriormente por conta da redução no abate de animais. Para o café, o setor acredita que as vendas não devem ser paralisadas, mantendo a oferta e os preços estáveis no Brasil. Já para a tilápia, se as exportações forem interrompidas, pode haver sobra do produto no mercado interno, levando à redução dos preços.
Negociações e perspectivas
Alckmin ressaltou que as negociações com os Estados Unidos ainda estão em aberto, mesmo após a formalização do tarifaço em 30 de maio. “A negociação [com os EUA] não terminou hoje, ela começa hoje”, afirmou o vice-presidente, destacando que o Brasil permanece aberto ao diálogo.
Segundo Alckmin, o tarifaço representa um cenário de “perde-perde”, pois prejudica o mercado, o emprego e o crescimento no Brasil, além de encarecer produtos para os consumidores americanos. Ele defendeu a manutenção de políticas que garantam a estabilidade dos preços e o acesso a alimentos de qualidade para a população.
O debate sobre o impacto do tarifaço segue em curso, com o governo e setores produtivos avaliando estratégias para mitigar possíveis efeitos negativos nas exportações e no mercado interno brasileiro.