Economia

Tarifaço dos Estados Unidos impacta exportações do Espírito Santo em 2024

Produtos como café, pimenta, gengibre e pescados do Espírito Santo sofrem com novas tarifas impostas pelos EUA

O Espírito Santo, segundo maior exportador brasileiro para os EUA em 2024, será diretamente afetado pelo novo tarifaço norte-americano. Produtos como café, rochas naturais, pimenta-do-reino, gengibre e pescados estão entre os mais prejudicados. O impacto atinge desde grandes exportadores até pequenos produtores rurais e empresas familiares.

O governo estadual estuda medidas para mitigar os efeitos das tarifas, que já provocam prejuízos e incertezas no setor produtivo capixaba.

Produtos afetados pelas tarifas dos EUA

De acordo com dados do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), os principais produtos exportados pelo estado em 2023 foram café, rochas ornamentais, aço, celulose, minério de ferro e ferro. Entre eles, apenas o café foi totalmente tarifado. As rochas naturais, segundo item mais exportado, serão parcialmente afetadas: apenas o quartzito, que representa 40% das exportações do segmento, ficou isento. Outros produtos impactados incluem pimenta-do-reino, gengibre, pescado, mamão e instrumentos musicais.

Café

O Brasil exportou quase US$ 2 bilhões em café para os EUA em 2024, sendo o Espírito Santo líder nacional em café conilon e um dos maiores em café solúvel. Desde o anúncio do tarifaço, o Brasil deixou de comercializar cerca de 500 mil sacas para os EUA, o que representa 20% das exportações capixabas. O vice-presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Jorge Nicchio, afirmou que a decepção é grande, mas negociações continuam e a estratégia é buscar novos mercados, como Europa e Ásia. A tarifa de 50% deve reduzir margens e encarecer o produto para o consumidor americano.

Pimenta-do-reino

Líder nacional na produção e exportação, o Espírito Santo pode ter 13 mil famílias impactadas. Embora a venda direta para os EUA represente apenas 1% das exportações, o país absorve 25% da produção brasileira, com previsão de 90 mil toneladas neste ano. O presidente da Associação Brasileira de Especiarias (BSA) destaca a preferência pelo mercado americano pela estabilidade. Antes mesmo da vigência, a taxação já provocou queda de 12% nos preços. Um terço da pimenta exportada passa pelo Vietnã antes de chegar aos EUA, sendo monitorada e tributada.

Gengibre

O secretário de Agricultura Enio Bergoli informou que contratos estão sendo suspensos e exportadores deixam de honrar compromissos. O Espírito Santo responde por 75% da produção nacional, quase toda de agricultura familiar. Três mil famílias serão atingidas, especialmente em Santa Leopoldina, Santa Maria do Jetibá e Domingos Martins.

Rochas naturais

Os EUA importam 85% da pedra natural consumida, sendo o principal comprador externo do Espírito Santo. Mais de 80% das exportações brasileiras de rochas naturais partem do estado, com destaque para Cachoeiro de Itapemirim. O Centrorochas mantém diálogo com autoridades americanas para tentar ampliar as isenções. O setor emprega 6 mil pessoas no estado e a tarifa pode afetar 200 mil empregos nos EUA.

Pescado

Praticamente todo pescado exportado pelo Espírito Santo vai para os EUA. Em 2025, 98% da produção local foi destinada ao país, somando US$ 5,2 milhões. Itapemirim responde por 15% da produção nacional e 13 mil pessoas dependem da atividade. Exportar para outros continentes é uma alternativa, mas enfrenta barreiras sanitárias.

Medidas do governo estadual

O governo do Espírito Santo avalia um pacote de apoio, incluindo linhas de crédito com prazo longo, carência e juros compatíveis para pequenos agricultores e empresas que não conseguem mais exportar para os EUA. O vice-governador Ricardo Ferraço afirmou que a contrapartida será a manutenção da atividade e dos empregos, mas detalhes sobre regras e datas ainda não foram divulgados.

Produtos não afetados pelo tarifaço

Segundo a Findes, uma extensa lista de produtos do Espírito Santo não será impactada pelas tarifas, incluindo pasta química de madeira, minérios de ferro, óleos brutos de petróleo, motores elétricos, smartphones, aparelhos de telecomunicação, impressoras, bombas hidráulicas, peças de aviões e outros itens industriais e tecnológicos.

Repercussão e expectativas

Contêineres parados no Porto de Vitória refletem a incerteza dos exportadores quanto ao comportamento dos compradores americanos. Instrumentos musicais de corda, como arcos de violino e contrabaixo, também estão na lista dos prejudicados, embora o governo não tenha detalhado volumes ou valores. O início das novas tarifas foi adiado para a próxima quarta-feira (6), após exceções anunciadas pelo presidente Trump.

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