O dólar abriu a sessão desta terça-feira (29) em alta de 0,11%, cotado a R$ 5,5963, refletindo a tensão do mercado com a proximidade do tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
O cenário é influenciado pelas negociações comerciais internacionais e pela expectativa das decisões de juros do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil, marcadas para a Superquarta.
As negociações no Ibovespa, principal índice da bolsa, começaram às 10h, em meio à cautela dos investidores diante do impasse entre Brasil e EUA.
Dólar e Ibovespa: desempenho recente
No acumulado da semana, o dólar registra alta de 0,52%, enquanto no mês sobe 2,89%. No ano, porém, apresenta queda de 9,54%. Já o Ibovespa acumula queda de 1,04% na semana e de 4,84% no mês, mas mantém alta de 9,85% no ano.
Tarifaço dos EUA no radar
O prazo final para o tarifaço anunciado por Donald Trump é 1º de agosto, colocando as negociações comerciais no centro das atenções. Após acordo entre EUA e União Europeia, anunciado no domingo (27), o foco volta-se para a China, com autoridades reunidas em Estocolmo para buscar soluções para a disputa tarifária.
A China tem até 12 de agosto para fechar um acordo tarifário duradouro com o governo Trump, após negociações preliminares realizadas em maio e junho. A expectativa é de extensão da trégua tarifária por mais 90 dias, o que pode evitar nova escalada das tensões e facilitar uma reunião entre Trump e Xi Jinping no segundo semestre.
Impactos e reação brasileira
A proximidade do tarifaço eleva a preocupação do mercado brasileiro, já que as negociações com os EUA não avançaram. Segundo o blog do Valdo Cruz, o recente acordo entre EUA e União Europeia reduz o poder de barganha do Brasil e diminui a urgência de um tratado entre europeus e Mercosul.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil segue dialogando com os norte-americanos e já elabora um plano de contingência para apoiar setores impactados pelas tarifas, como aço, alumínio, minerais críticos e veículos elétricos. “Estamos dialogando neste momento pelos canais institucionais e com a devida reserva. Quando tiver algo a ser anunciado, vocês serão os primeiros a saber. O plano de contingência está sendo elaborado, bastante completo, bem feito, mas todo o empenho agora é para buscar resolver o problema”, declarou Alckmin.
Interlocutores do presidente Lula relataram que Trump não autorizou sua equipe a abrir diálogo com o Brasil, dificultando as negociações. Assessores presidenciais afirmam que o governo norte-americano sinalizou intenção de “punir” o Brasil, mesmo sem justificativa econômica clara. O pessimismo aumentou quanto à reversão do tarifaço, e a expectativa é que Trump só abra diálogo após 1º de agosto.