Carla Zambelli, deputada licenciada, foi presa na Itália após colaboração entre polícias do Brasil e da Itália. A prisão ocorre após condenação do STF a 10 anos por invasão hacker ao CNJ. Base do governo comemora e oposição critica, alegando perseguição.
Colaboração internacional e decisão do STF
A prisão de Carla Zambelli foi realizada pela polícia italiana, com intensa colaboração da Polícia Federal do Brasil. A deputada havia fugido para a Itália após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão, devido ao seu envolvimento no caso da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Reações da base governista
Deputados de esquerda celebraram a prisão, defendendo que Zambelli deve responder por seus crimes. O líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou: “Zambelli está presa. Foragidos não podem legislar. A Câmara deve cumprir a Constituição.” Talíria Petrone (PSOL-RJ) declarou que a prisão representa avanço nas sanções contra representantes que atentaram contra a ordem democrática: “Carla Zambelli foi a primeira. Que venha o efeito dominó. Quem atentou contra a democracia precisa, sim, ser responsabilizado. Sem anistia para quem quis destruir o Brasil.” Fernanda Melchionna (PSOL-RS) reforçou que parlamentares com atitudes extremistas serão responsabilizados.
Providências na Câmara e posicionamento da oposição
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que já consultou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e aguarda manifestações oficiais do Ministério da Justiça e do governo italiano. Motta destacou: “Importante lembrar que as providências que cabem à Câmara já estão sendo adotadas, por meio da Representação que tramita na CCJC, em obediência ao Regimento e à Constituição. Não cabe à Casa deliberar sobre a prisão – apenas sobre a perda de mandato.”
A bancada do Partido Liberal (PL), partido ao qual Zambelli é filiada, divulgou nota oficial em apoio à deputada, assinada pelo líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). No texto, o PL afirma: “O Brasil passa a testemunhar, com perplexidade, o constrangimento diplomático e democrático de ver uma parlamentar federal buscar proteção internacional por não encontrar, em seu próprio país, as garantias mínimas do Estado de Direito.”