Um ataque da Rússia contra uma instalação penitenciária em Zaporizhzhia, sudeste da Ucrânia, deixou 16 mortos e 35 feridos, segundo autoridades locais nesta terça-feira (29).
O governador Ivan Fedorov relatou que os edifícios da prisão foram destruídos e casas próximas também sofreram danos. Outras quatro mortes ocorreram em Dnipro.
A escalada dos ataques entre russos e ucranianos continua, sem previsão de trégua.
Desdobramentos dos ataques e contexto regional
Além do ataque à penitenciária em Zaporizhzhia, autoridades ucranianas informaram que quatro pessoas morreram na cidade de Dnipro. O governador Ivan Fedorov, por meio do Telegram, detalhou que não apenas a infraestrutura da prisão foi destruída, mas também casas particulares nos arredores foram afetadas. O cenário de violência se repete em outras regiões: no sábado (26), bombardeios russos em Dnipropetrovsk resultaram em três mortes, e no domingo (27), um ataque de drones assustou banhistas em uma praia de Odessa.
A ofensiva russa também se intensificou no leste do país. O Ministério da Defesa russo anunciou, na segunda-feira (28), a tomada dos assentamentos de Boikivka e Belhiika. Esses episódios reforçam a continuidade dos confrontos e a ausência de perspectivas para um cessar-fogo imediato.
Negociações e impasses diplomáticos
Na quarta-feira (23), representantes da Rússia e da Ucrânia se encontraram na Turquia para a quarta rodada de negociações em três meses. Apesar do esforço diplomático, ambos os lados se mostram distantes de um acordo. O Kremlin afirmou, na sexta-feira (25), que o presidente russo Vladimir Putin só aceitará um encontro com o ucraniano Volodymyr Zelensky caso haja avanços concretos para um acordo de paz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou decepção com Putin e declarou que irá reduzir o prazo de 50 dias dado para a imposição de sanções mais duras à Rússia. Ainda assim, o porta-voz Dmitry Peskov considerou improvável uma reunião entre os líderes até o final de agosto, ressaltando que as posições continuam “diametralmente opostas”.
A Rússia exige que a Ucrânia ceda quatro territórios ocupados, além da Crimeia, e desista de ingressar na Otan, demandas consideradas inaceitáveis por Kiev. Por sua vez, o governo ucraniano exige a retirada total das tropas russas e garantias de segurança do Ocidente, termos rejeitados por Moscou. Apesar das divergências, a Rússia afirmou no início do mês que permanece disposta a negociar, em resposta ao prazo estipulado por Trump para um acordo de paz.