O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir o Irã se o país reiniciar seu programa nuclear. A declaração foi feita após reunião com o premiê britânico, Keir Starmer, nesta segunda-feira (28).
Trump afirmou que o governo iraniano envia “sinais desagradáveis” e prometeu resposta rápida caso Teerã retome atividades nucleares. A tensão aumentou após ataques dos EUA a instalações iranianas em apoio a Israel.
Reações após ataques e declarações iranianas
Na última semana, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou à Fox News que o Irã seguirá desenvolvendo seu programa nuclear, especialmente o enriquecimento de urânio, mesmo após “graves danos” causados por bombardeios dos EUA. Os ataques, realizados em 22 de junho, atingiram o centro subterrâneo de enriquecimento de urânio de Fordo e as centrais nucleares de Isfahan e Natanz, em apoio à ofensiva israelense.
Segundo Araqchi, “há uma paralisação porque, sim, os danos são graves, mas, evidentemente, não podemos renunciar ao enriquecimento porque é uma conquista dos nossos próprios cientistas. E agora, além disso, é uma questão de orgulho nacional”. Ele ressaltou que qualquer acordo futuro deve garantir o direito ao enriquecimento de urânio, ponto rejeitado pelo governo Trump nas negociações entre maio e junho.
Araqchi também disse que o país está aberto a conversas indiretas com os EUA, além das negociações com europeus, para buscar um entendimento sobre o programa nuclear.
Histórico do acordo nuclear e perspectivas
O Irã e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, além da Alemanha, firmaram em 2015 um acordo que limitava o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções. No entanto, em 2018, Trump retirou unilateralmente os EUA do acordo e restabeleceu as sanções ao Irã.
Estado das instalações e capacidade iraniana
Questionado sobre o urânio enriquecido, Araqchi afirmou não ter detalhes, mas que a agência atômica iraniana avalia a situação do material. Trump afirmou que as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan foram “completamente” destruídas, embora Araqchi tenha confirmado apenas danos graves, ressaltando que “a tecnologia está lá” e não pode ser eliminada por bombardeios, pois o conhecimento é interno.
Trump celebrou as declarações de Araqchi em sua rede Truth Social, reforçando que os EUA agiriam novamente se necessário. Araqchi destacou ainda que o Irã mantém “um bom número de mísseis” para defesa, apesar dos ataques israelenses a depósitos de armamentos. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, declarou que o país está pronto para responder a novos ataques, sendo descrito por Araqchi como “muito saudável” após encontro recente.