Política

Supremo impõe restrições a Bolsonaro e acirra disputa interna na direita

Decisões do STF limitam atuação do ex-presidente e aprofundam divisões entre grupos conservadores para 2026

Medidas recentes do Supremo Tribunal Federal restringem a atuação de Jair Bolsonaro e aumentam as tensões na direita brasileira, apontam especialistas.

O ex-presidente enfrenta limitações judiciais, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de uso das redes sociais, impactando sua influência política.

A postura da família Bolsonaro diante do “tarifaço” de Donald Trump e das restrições judiciais intensifica a fragmentação no campo conservador, com reflexos para as eleições de 2026.

Limitações judiciais e impacto político

As decisões do STF sobre Jair Bolsonaro incluem medidas como tornozeleira eletrônica e restrição ao uso das redes sociais. Essas ações limitam a comunicação direta do ex-presidente com sua base, que é fortemente ativa na internet, e enfraquecem sua capacidade de mobilização política.

Segundo Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), “as medidas cautelares conseguiram mobilizar os aliados mais radicais de Bolsonaro, mas aprofundaram as divisões internas na direita”.

Fragmentação e dilemas da direita

Especialistas analisam que a postura da família Bolsonaro, especialmente diante do “tarifaço” imposto por Donald Trump, acirra disputas internas e provoca um dilema estratégico para a direita: adotar um discurso mais radical ou buscar moderação para as eleições de 2026.

Cláudio Couto, da FGV, avalia que as restrições judiciais podem prejudicar as campanhas de candidatos alinhados a Bolsonaro. “As decisões que eles estão tomando, as pessoas estão percebendo que estão prejudicando a direita como um todo, particularmente, o campo mais próximo do Bolsonaro. Ele de um apoiador fundamental pode se tornar um sujeito tóxico”, afirma.

Espólio político e repercussão

Medeiros aponta que o espólio político de Bolsonaro está mais “rarefeito”, em parte pelos efeitos do “tarifaço” de Trump. “O Lula conseguiu um fôlego maior em sua popularidade diante desse quadro do tarifaço de Trump. O espólio de Bolsonaro está mais rarefeito para a disputa dos seus aliados. Essa divisão deve se acentuar cada vez mais até 2026”, avalia.

José Álvaro Moisés, da USP, destaca que a divisão tende a crescer com o surgimento de candidaturas mais moderadas. “Por causa da agenda e do calendário do processo contra o ex-presidente, isso vai causar uma comoção entre os bolsonaristas. Se surgir candidatos menos radicalizados do que o Bolsonaro, mais moderados, isso vai acirrar a divisão”, diz.

Apoio tóxico e reação de partidos

A postura da família Bolsonaro diante do “tarifaço” de Trump tem provocado racha entre apoiadores e grupos mais moderados. Partidos do Centrão, antes alinhados ao PL, mostram-se menos solidários. Em ato recente na Câmara dos Deputados, apenas integrantes do partido de Bolsonaro compareceram.

Levantamento da Quaest revela que 72% dos brasileiros consideram que Donald Trump está errado ao impor o tarifaço ao Brasil por acreditar que há perseguição política a Bolsonaro. Para Couto, “as medidas cautelares não têm a capacidade de acirrar as disputas na direita. O que tem é a postura do Bolsonaro e da família em relação ao lobby nos EUA para sancionar o Brasil, porque tem gente que acha que isso não é uma boa ideia”.

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