Política

Estados Unidos iniciam deportação de imigrantes detidos na Alcatraz dos Jacarés na Flórida

Governador Ron DeSantis anuncia início dos voos de deportação a partir do novo centro de detenção em área pantanosa

O governo dos Estados Unidos começou a deportar imigrantes presos na chamada “Alcatraz dos Jacarés”, prisão construída em um aeroporto militar desativado no sul da Flórida. O anúncio foi feito pelo governador Ron DeSantis nesta sexta-feira (25), destacando que os voos de deportação já estão em andamento e devem ser intensificados nos próximos dias.

A instalação foi inaugurada no início do mês, durante visita do presidente Donald Trump, e tem capacidade para abrigar até 5 mil detentos.

Estrutura e funcionamento da Alcatraz dos Jacarés

O novo centro de detenção, batizado de “Alcatraz dos Jacarés” pelas autoridades locais, foi montado em apenas oito dias em um antigo aeroporto militar, localizado em uma região pantanosa do sul da Flórida, a cerca de 60 km de Miami. O local, cercado por aproximadamente 200 mil jacarés, crocodilos e cobras, foi escolhido para dificultar possíveis fugas e transmitir uma mensagem de severidade na política migratória dos EUA.

A estrutura temporária é composta por tendas e contêineres, com beliches em celas fechadas por alambrados. Cerca de 100 agentes da Guarda Nacional reforçam a segurança. O custo anual da operação pode chegar a US$ 450 milhões, com um gasto diário de US$ 247 por detento, valor 54% superior ao de prisões comuns para imigrantes.

O Departamento de Segurança Interna americano aproveitou a pista de pouso de mais de 3 km do antigo aeroporto para acelerar o processo de deportação diretamente do local.

Controvérsias e críticas ambientais e sociais

A instalação está localizada no Parque Nacional dos Everglades, uma reserva biológica de 600 mil hectares. A proximidade com o Big Cypress National Preserve, área protegida que abriga espécies ameaçadas, gerou protestos de ambientalistas e comunidades indígenas, que consideram a terra sagrada.

Duas organizações ambientais recorreram à Justiça para tentar impedir a abertura do centro, alegando que o tráfego, a iluminação e o uso de geradores podem impactar negativamente o meio ambiente. As entidades também criticam a justificativa de emergência migratória para burlar leis ambientais.

O presidente Donald Trump minimizou as preocupações, afirmando que os animais da região irão “sobreviver” e sugeriu que centros semelhantes sejam replicados em outros estados. Já defensores dos direitos humanos, como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), classificaram o projeto como “cruel e absurdo”, alertando para o risco de negligência, abusos e dificuldade de acesso legal devido ao isolamento do local.

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