O lucro da GM caiu US$ 1,1 bilhão no segundo trimestre devido às tarifas impostas por Donald Trump, levando a uma queda de 7% nas ações da montadora nesta terça-feira. A empresa, maior vendedora de veículos nos EUA, prevê um impacto ainda maior no próximo trimestre e já revisou suas projeções anuais de lucro.
Apesar do cenário adverso, a GM superou as expectativas dos analistas graças ao desempenho de picapes e SUVs a gasolina. A companhia também anunciou investimentos em fábricas e mudanças na produção para enfrentar o novo contexto.
Impactos das tarifas e reação do mercado
As tarifas impostas pelo então presidente Donald Trump resultaram em um prejuízo de US$ 1,1 bilhão para a GM no segundo trimestre, o que corresponde a cerca de R$ 6,12 bilhões. Como consequência, as ações da empresa caíram aproximadamente 6% nas primeiras horas de negociação, chegando a um recuo de 7% ao longo do dia.
A receita trimestral da montadora, encerrada em 30 de junho, caiu quase 2% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando cerca de US$ 47 bilhões. O lucro ajustado por ação ficou em US$ 2,53, abaixo dos US$ 3,06 do ano anterior, mas acima da expectativa média dos analistas, que era de US$ 2,44, segundo a LSEG. O lucro ajustado antes de juros e impostos caiu 32%, atingindo US$ 3 bilhões.
A GM revisou sua previsão de lucro operacional ajustado anual para uma faixa entre US$ 10 bilhões e US$ 12,5 bilhões, reafirmando a estimativa nesta terça-feira. A empresa estima que os entraves comerciais podem reduzir seus resultados em até US$ 5 bilhões, mas planeja mitigar pelo menos 30% desse prejuízo.
Desempenho e estratégias
Apesar do impacto das tarifas, a GM registrou crescimento de 7% nas vendas nos Estados Unidos, mantendo preços elevados para picapes e SUVs. Na China, a montadora voltou a lucrar após prejuízo no ano anterior. Analistas apontam que a empresa pode ser forçada a cortar investimentos futuros ou buscar outras formas de reduzir custos.
Repercussão no setor automotivo
O efeito das tarifas não se restringe à GM. A Stellantis, dona da Jeep, alertou que as tarifas devem impactar fortemente o segundo semestre de 2025, com um custo de 300 milhões de euros no primeiro semestre. As ações da Ford e da Stellantis negociadas nos EUA caíram cerca de 1% na terça-feira.
Investimentos e mudanças na produção
Nos últimos meses, a GM intensificou investimentos em motores a combustão e anunciou US$ 4 bilhões para três fábricas em Michigan, Kansas e Tennessee. O plano inclui transferir a produção do Cadillac Escalade e ampliar a fabricação de picapes, além de transferir a produção do Chevy Blazer do México para o Tennessee.
A GM importa cerca de metade dos veículos vendidos nos EUA, principalmente do México e da Coreia do Sul. Já a Ford produz 80% dos modelos vendidos no país em território americano. Os resultados trimestrais da Ford serão divulgados na próxima semana.
Veículos elétricos e incentivos
Com a desaceleração nas vendas de veículos elétricos, as montadoras têm focado em picapes e SUVs a gasolina. O fim próximo dos incentivos fiscais para elétricos, previsto para setembro, e mudanças na legislação sancionada por Trump, que eliminaram multas por descumprimento de metas de economia de combustível, favorecem a produção de veículos a combustão.
Segundo a CEO Mary Barra, “acreditamos que o futuro de longo prazo é a produção rentável desses modelos [elétricos], e esse continua sendo o nosso norte”.