O prefeito Ricardo Nunes declarou nesta quinta-feira (17) que o comércio popular da 25 de Março, em São Paulo, não é ilegal. A fala ocorre após os Estados Unidos anunciarem uma investigação comercial contra o Brasil, incluindo a região, por suposta venda de produtos falsificados.
A medida foi tomada após o presidente americano, Donald Trump, sinalizar tarifas sobre exportações brasileiras em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Investigação dos EUA e reações
Na terça-feira (15), os Estados Unidos informaram a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil. Entre os pontos destacados pelo documento do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), está a inclusão da região da 25 de Março, maior centro de comércio popular da América Latina, devido à venda de produtos falsificados. Em declaração à TV Globo, Ricardo Nunes defendeu que o comércio local não pode ser considerado ilegal.
O presidente Donald Trump já havia antecipado a investigação ao anunciar uma tarifa de 50% sobre exportações brasileiras, em reação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
Principais pontos da investigação
O documento do USTR cita, além da proteção à propriedade intelectual, outros aspectos do comércio brasileiro que serão analisados. Entre eles estão:
- Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: o Brasil é acusado de prejudicar empresas americanas ao impor restrições e retaliações contra companhias que se recusam a censurar discursos políticos.
- Tarifas injustas e preferenciais: o país concederia tarifas vantajosas a parceiros estratégicos, prejudicando exportações dos EUA.
- Aplicação de medidas anticorrupção: o texto aponta falhas do Brasil em adotar normas internacionais contra suborno e corrupção.
- Proteção da propriedade intelectual: o USTR afirma que o Brasil não fiscaliza adequadamente os direitos de propriedade intelectual.
- Etanol: o país teria aumentado tarifas sobre o etanol americano, contrariando compromissos anteriores.
- Desmatamento ilegal: há críticas à suposta ineficácia do Brasil em combater o desmatamento, afetando a competitividade de produtores americanos.
Contexto e repercussões
Especialistas apontam que o embate com big techs e a concorrência com bandeiras de cartões de crédito americanas podem influenciar a ofensiva dos EUA. Segundo fontes ouvidas pelo g1, não existem razões consistentes para questionar o sistema de pagamento instantâneo brasileiro.
Além da questão comercial, o documento americano faz afirmações sobre práticas do Brasil sem apresentar provas concretas. O caso ganhou destaque após a inclusão da 25 de Março, tradicional polo de comércio popular, na investigação. A região é conhecida por sua grande movimentação e variedade de produtos, sendo referência no comércio latino-americano.
O prefeito Ricardo Nunes buscou afastar a imagem de ilegalidade do comércio local, ressaltando a importância econômica da área para a cidade de São Paulo.