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Falhas em sistemas do INSS impedem atendimento por 67 dias no semestre

Instabilidades recorrentes nos sistemas do INSS atrasam concessão de benefícios e aumentam filas em 2025

O INSS enfrentou 67 dias de indisponibilidade em seus sistemas no primeiro semestre de 2025. As falhas graves afetaram servidores em todo o país, dificultando a análise e concessão de benefícios previdenciários. O levantamento, feito pela GloboNews com dados do próprio INSS, mostra que a situação se agravou em junho, com 16 dias de problemas em 20 dias úteis.

Os sistemas, administrados pela Dataprev, são essenciais para consultas, acertos de dados e concessão de aposentadorias, pensões e auxílios. A instabilidade aumenta o tempo de espera dos cidadãos e gera insatisfação entre os servidores.

Impacto das falhas nos atendimentos

As plataformas digitais do INSS são interligadas e, quando uma apresenta problemas, todo o processo de concessão de benefícios é prejudicado. Uma servidora do Rio Grande do Sul relatou que, para conceder uma aposentadoria, é necessário acessar pelo menos seis sistemas diferentes. Durante entrevista, cinco deles estavam fora do ar simultaneamente, sendo dois há mais de duas horas.

A responsabilidade pela administração dos sistemas é da Dataprev, empresa pública que desenvolve soluções digitais para o governo federal. Segundo servidores, ao registrar um chamado para a Dataprev, a resolução raramente ocorre no mesmo dia, o que paralisa o trabalho e aumenta a fila de espera.

Em junho, o problema se intensificou: houve falhas em 16 dos 20 dias úteis. Um servidor de São Paulo desabafou que “não tem um santo dia que a gente tenha paz e sossego para trabalhar”, ressaltando que a situação prejudica tanto os funcionários quanto a população, que depende da análise dos requerimentos dentro dos prazos legais.

Instabilidades recorrentes e aumento da fila

As reclamações sobre a inoperância dos sistemas não são recentes. Em 2024, o número de dias com falhas foi o mesmo: 67 entre 1º de janeiro e 20 de junho. Desde então, a fila para concessão de benefícios só aumentou, chegando a mais de 2,6 milhões de brasileiros aguardando, segundo dados do Ministério da Previdência de abril.

Nas agências, tanto no atendimento ao público quanto nas perícias médicas, a instabilidade é frequente. Um servidor de Minas Gerais afirmou que, muitas vezes, é preciso remarcar perícias por conta dos sistemas fora do ar, impossibilitando o atendimento ao cidadão.

Metas e insatisfação dos servidores

Os servidores do INSS possuem metas diárias de análise a cumprir, que deveriam ser ajustadas em caso de falhas graves nos sistemas. No entanto, relatos apontam que nem sempre há abatimento dessas metas, mesmo diante de longos períodos de indisponibilidade.

Em junho, o Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e da Previdência Social enviou ofício ao INSS solicitando revisão imediata do abatimento de metas, citando instabilidades não consideradas para desconto. Nos dias 23 e 24 de junho, o principal sistema, o Prisma, ficou fora do ar por 48 horas, sem que houvesse abatimento nas metas dos servidores.

Um servidor do Rio de Janeiro relatou sensação de desamparo: “Tem gente que adoece. Você tem que trabalhar mais, produz menos, e não recebe o desconto devido na meta diária.”

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