Eduardo Bolsonaro, deputado licenciado, está colaborando com aliados do ex-presidente Donald Trump para tentar impor sanções ao ministro do STF, Alexandre de Moraes. O jornal The Washington Post revelou a articulação nesta quinta-feira (17), citando fontes próximas ao governo americano.
O movimento inclui discussões sobre a aplicação da Lei Magnitsky, que prevê punições a estrangeiros por violações de direitos humanos. A proposta circula entre autoridades dos EUA e pode impactar diretamente Moraes.
Articulações nos Estados Unidos
Em 14 de maio, Eduardo Bolsonaro publicou uma foto ao lado do congressista Cory Mills. Dias depois, Mills participou de sessão na Câmara dos EUA com o secretário de Estado Marco Rubio, onde afirmou que o Brasil enfrenta um “alarmante retrocesso nos direitos humanos”.
Na ocasião, Mills questionou Rubio sobre possíveis sanções ao ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. O secretário respondeu que o tema estava em análise e que havia uma “grande chance de acontecer”.
A Lei Magnitsky, vigente nos EUA desde 2012, permite sanções a estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção em larga escala. Criada em homenagem ao advogado russo Sergei Magnitsky, morto após denunciar corrupção, a lei pode resultar em bloqueio de bens e proibição de entrada nos EUA para os sancionados.
Repercussões e investigações
Em maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao STF abertura de inquérito para investigar Eduardo Bolsonaro por suposta atuação nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. A Justiça apura se ele buscou influenciar o governo Trump para prejudicar investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ministros do STF afirmaram ao blog de Gerson Camarotti que Eduardo produziu provas contra si ao publicar mensagem em rede social sobre articulação que levou Trump a impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Em carta a Lula em 9 de julho, Trump alegou déficit comercial com o Brasil como justificativa, mas dados oficiais apontam superávit dos EUA desde 2009.
Paralelamente, Eduardo tenta manter seu mandato na Câmara e continuar nos EUA buscando apoio a Jair Bolsonaro. Sua licença termina no domingo (20); se não retornar, pode perder o cargo por excesso de faltas, já acumulando quatro ausências.