O governo Lula, que enfrentava dificuldades políticas e queda de popularidade, ganhou novo fôlego após episódios recentes envolvendo Donald Trump e o veto ao aumento de deputados. A reação do Planalto e a repercussão das medidas trouxeram alívio ao governo.
O tarifário imposto por Trump, as críticas ao julgamento de Bolsonaro e a defesa do Pix colocaram o Brasil em destaque. O veto ao projeto de aumento de deputados também acalmou o mercado e a opinião pública, reforçando a imagem de responsabilidade fiscal.
Tarifaço de Trump e impacto político
O anúncio de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros por Donald Trump trouxe à tona motivações políticas. Trump alegou que o Brasil persegue o ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando o julgamento no STF de “vergonha internacional” e “Caça às Bruxas”. Em carta a Lula, Trump afirmou considerar Bolsonaro um homem honesto. O episódio expôs o viés político da medida, já que, ao contrário de outros países, o argumento central foi a suposta perseguição a Bolsonaro. A postura de aliados de Bolsonaro ao lado de Trump gerou desgaste para o campo político do ex-presidente.
Pix como alvo dos EUA
Além das tarifas, o Pix entrou no radar do governo americano. A representação enviada aos EUA contra o Brasil citou indiretamente o sistema de pagamentos instantâneos, criado pelo Banco Central. O Planalto suspeita que o Pix tenha incomodado grandes empresas financeiras dos EUA, sendo usado como justificativa para pressão. Apesar de criado no governo Bolsonaro, o sistema foi adotado como ativo nacional pela gestão atual e é utilizado por mais de 150 milhões de brasileiros, tornando-se símbolo de inclusão e inovação.
Reação de Lula e veto no Congresso
Em resposta, Lula elevou o tom contra Trump, afirmando: “Se o Trump morasse no Brasil e tentasse fazer aqui o que fez no Capitólio, certamente estaria julgado e preso.” O presidente criticou a carta de Trump e reforçou que o Brasil responderia de forma civilizada, sem aceitar ingerência externa: “Não é um gringo que vai dar ordem a esse presidente da República.”
Outro ponto de inflexão foi o veto integral ao projeto que aumentava de 513 para 531 o número de deputados federais. A medida, aprovada pelo Congresso como alternativa à decisão do STF sobre redistribuição das cadeiras, encontrou resistência: 85% dos brasileiros se disseram contra, segundo a Quaest. Com o veto, o governo evitou desgaste e reforçou responsabilidade fiscal, deixando a redistribuição a cargo da Justiça Eleitoral.
Queda de braço com o Congresso e repercussão nas pesquisas
Lula vinha acumulando derrotas e críticas por falta de articulação política, mas o veto ao aumento de deputados, mesmo com risco de conflito com partidos do centrão, foi interpretado como gesto de firmeza. Ministros avaliaram que manter o veto era melhor que assumir o ônus da medida impopular, cálculo reforçado pela pesquisa Quaest. Lideranças do centrão já admitem que não há ambiente político para tentar derrubar o veto, consolidando a vitória do governo.
Alívio nas pesquisas de opinião
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana mostra melhora nos indicadores de popularidade de Lula: desaprovação caiu de 52% para 47% e aprovação subiu de 45% para 49%. Houve também mudança na percepção sobre o estilo de governar: caiu de 40% para 31% os que veem Lula como mais inclinado ao confronto e subiu de 50% para 57% os que avaliam que ele busca construir soluções. Nas simulações de segundo turno para 2026, Lula voltou a liderar contra Jair Bolsonaro, com 6 pontos de vantagem, e mantém empate técnico com Tarcísio de Freitas. Michelle Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro oscilaram negativamente.