O vice-presidente Geraldo Alckmin intensificou esforços para convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a recuar do tarifaço imposto ao Brasil. Após enviar carta ao secretário de Comércio dos EUA, Alckmin reuniu-se nesta quarta-feira (16) com representantes de grandes empresas americanas que atuam no país.
Empresas como GM, Coca Cola e Amazon participaram das conversas, prometendo acionar suas matrizes nos EUA para dialogar com a Casa Branca. O governo brasileiro busca alternativas diante da dificuldade de acesso direto a Trump.
Movimentação de Alckmin e multinacionais
Após a carta enviada ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, Alckmin passou a dialogar com executivos de grandes corporações americanas presentes no Brasil. O objetivo é formar uma frente de aliados para pressionar o governo de Donald Trump a reabrir negociações e recuar das tarifas impostas. Segundo a equipe do vice-presidente, as reuniões foram produtivas e os executivos se comprometeram a envolver suas sedes nos EUA no processo de sensibilização da Casa Branca.
Apesar dos esforços, o Brasil enfrenta obstáculos por não possuir um canal direto com Trump, o que dificulta avanços imediatos nas negociações.
Contexto político e pressões dos EUA
De acordo com assessores do presidente Lula, Trump estaria obcecado com o Brasil, influenciado por empresários americanos insatisfeitos com o governo e o Judiciário brasileiros. O fator Jair Bolsonaro também é citado como elemento de pressão. O governo brasileiro interpreta que a investigação aberta pelos EUA demonstra o interesse direto de Trump em defender as big techs americanas. Postagens e cartas enviadas ao Brasil apontam como justificativa do tarifaço o julgamento do ex-presidente Bolsonaro, considerado injusto por Trump.
Contudo, a investigação baseada na seção 301 sugere que o real interesse dos EUA está em possíveis práticas desleais do Brasil contra empresas de mídia social.
PIX no centro da disputa
Um dos focos da investigação americana é o sistema de pagamentos eletrônicos e digitais, em especial o PIX. Empresas como a Meta, dona do WhatsApp, se sentiram prejudicadas, pois o PIX, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, tornou-se obrigatório para todos os bancos, enquanto o sistema da Meta depende de credenciamento de bandeiras de cartão e instituições financeiras. A Meta alega concorrência desleal, mas o PIX popularizou e facilitou o acesso dos brasileiros a pagamentos digitais.
O governo Lula tem usado o sucesso do PIX como trunfo, promovendo campanhas como “O PIX é nosso, my friend”, para reforçar a autoria nacional da ferramenta.
Possíveis desdobramentos
O ambiente de tensão permanece, e assessores do governo brasileiro não descartam novas medidas por parte dos EUA. O Brasil segue buscando alternativas para defender seus interesses e manter o diálogo aberto com as autoridades americanas e o setor privado internacional.