O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quarta-feira (16) que a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros tem motivação política. A decisão foi tomada em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e provocou reação imediata do governo brasileiro.
A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, é a mais alta entre mais de 20 países afetados pelas novas cobranças de importação dos EUA.
Motivação política e declarações de Trump
Durante entrevista na Casa Branca, Trump afirmou que taxou o Brasil devido ao tratamento dado ao ex-presidente Bolsonaro. “[Taxamos] 50% em um caso, o Brasil, porque o que estão fazendo com o ex-presidente é uma desgraça”, declarou. Ele também disse acreditar que Bolsonaro é um homem honesto e que o julgamento é “terrível”.
O republicano já havia sinalizado a motivação política em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana anterior, na qual classificou o julgamento de Bolsonaro como “uma vergonha internacional” e “Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!”. Trump ainda alegou, sem apresentar provas, que a decisão também foi motivada por supostos ataques do Brasil contra eleições livres e à liberdade de expressão dos americanos.
Apesar de mencionar déficit comercial, dados do Ministério do Desenvolvimento brasileiro e do Departamento de Comércio dos EUA mostram que o Brasil compra mais dos EUA do que vende desde 2009.
Reação do governo brasileiro e repercussão
O presidente Lula respondeu afirmando que o Brasil é um país soberano e não aceitará ser tutelado por ninguém. Inicialmente, Lula indicou que poderia aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, mas depois afirmou que só o fará “quando necessário”. O presidente também declarou que buscará uma posição da OMC sobre o caso e, se não houver solução, poderá aplicar reciprocidade a partir de 1º de agosto.
A tensão comercial preocupa empresários e investidores dos dois países. A Câmara de Comércio dos EUA e a Amcham divulgaram nota conjunta alertando que a taxa elevará custos para famílias e empresas americanas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin reuniu-se com representantes da indústria e do agronegócio para discutir alternativas. O governo Lula enviou nova carta a Trump, manifestando “indignação” e cobrando resposta a mensagem anterior. O documento foi assinado por Alckmin e pelo ministro Mauro Vieira. Até o momento, Trump não sinalizou abertura para negociação formal.