O Congresso Nacional aprovou um reajuste salarial de 9% para militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. O aumento, que também alcança reservistas e pensionistas, terá impacto de até R$ 8,3 bilhões em dois anos.
A medida provisória foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (16) e já estava em vigor desde março. O reajuste visa corrigir defasagens e será implementado em etapas, com nova parcela prevista para 2026.
Detalhes do reajuste aprovado
O reajuste de 9% incide sobre o soldo, remuneração básica dos militares das três forças. Com a mudança, o menor salário passará de R$ 1.078 para R$ 1.177, enquanto patentes superiores terão vencimentos ampliados de R$ 13.471 para R$ 14.711. Além do soldo, militares podem receber adicionais, elevando o valor final recebido.
O impacto financeiro será de R$ 3 bilhões em 2025 e R$ 5,3 bilhões em 2026, totalizando R$ 8,3 bilhões. Segundo o Palácio do Planalto, cerca de 740 mil pessoas serão beneficiadas. O reajuste faz parte de um acordo entre o governo federal e as Forças Armadas, alinhado ao reajuste concedido a outros servidores públicos.
O governo justifica que a medida busca “mitigar” os efeitos da inflação recente, que gerou defasagem na remuneração de militares e pensionistas.
Negociações e reações
Durante as negociações, representantes das Forças Armadas reivindicaram percentuais maiores, chegando a propor um aumento de 18%. O relator da medida provisória, deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ), tentou junto ao governo e ao Ministério da Defesa elevar o índice, mas esbarrou em limitações orçamentárias.
“Não dá. Eu queria muito, mas não dá. O orçamento não comporta. Tentei várias hipóteses, reajustes mais escalonados, mas não dá”, afirmou Pazuello ao g1, ressaltando a boa vontade do governo, mas reconhecendo a impossibilidade de ampliar o percentual.
O texto aprovado repete o teor da MP editada em março, que já estava em vigor e precisava ser aprovada pelo Congresso até agosto para não perder validade. Parte do reajuste já foi aplicada desde abril, e uma nova parcela de 4,5% está prevista para janeiro de 2026, caso a medida se torne lei definitiva.
No parecer, Pazuello destacou sua discordância com o percentual, mas explicou que não poderia modificar os índices definidos pelo Executivo.