O servidor do Ministério da Justiça, Clebson Ferreira, declarou ao STF que, durante o governo Bolsonaro, recebeu pedido para analisar dados que pudessem vincular Lula a facções criminosas.
A solicitação teria partido de uma subsecretária da pasta, visando criar uma correlação estatística entre votos em áreas dominadas pelo Comando Vermelho e a votação do então candidato Lula.
Ferreira também relatou pressão para identificar regiões onde Lula liderava com mais de 75% dos votos, além de monitoramento diferenciado da PRF nessas áreas.
Depoimento detalha tentativas de vinculação
Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (14), Clebson Ferreira afirmou que, durante sua atuação na secretaria de inteligência do Ministério da Justiça, foi solicitado a produzir relatórios que pudessem associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a facções criminosas.
Segundo Ferreira, a demanda partiu de uma subsecretária de inteligência, que pediu uma análise estatística cruzando dados de votação em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, especialmente no Rio de Janeiro, para verificar se havia maior concentração de votos para Lula nessas regiões.
O servidor explicou que compartilhava com sua esposa, à época, mensagens sobre demandas de viés político vindas da diretoria do ministério. “Eu lembro que tinha mencionado que chegou um pedido para tentar ver análise e correlação estatística da concentração de votos em territórios do Comando Vermelho no Rio de Janeiro, para ver se tinha correlação se o candidato Lula tinha maior concentração de votos em áreas dominadas por facção criminosa”, relatou.
Relatórios sobre votação
Além disso, Ferreira disse que foi demandado a identificar municípios onde Lula liderava com mais de 75% dos votos. Ele destacou que, ao filtrar esses dados, notou um “mar vermelho” de pontos no Nordeste e notícias sobre eleitores impedidos de votar por congestionamentos, especialmente em cidades de seu estado.
Repercussão e posicionamentos
A revelação do servidor gerou críticas de opositores e especialistas, que classificaram a ação como tentativa de manipulação política e possível golpe, além de questionarem a legalidade do uso de dados de segurança para fins eleitorais.
O Ministério da Justiça ainda não se pronunciou oficialmente sobre as declarações de Ferreira. Por sua vez, o governo Bolsonaro nega qualquer envolvimento em ações ilegais para influenciar o processo eleitoral.
Atuação da PRF
Ferreira afirmou também que ficou “nítido” como a Polícia Rodoviária Federal atuou de forma diferenciada em áreas onde Lula tinha mais de 75% dos votos, com relatos de pressão no trânsito e dificuldades para eleitores nessas regiões.
As investigações sobre a suposta trama golpista seguem em andamento no STF, com o depoimento de outras testemunhas previsto para os próximos dias.