Saúde

Idade biológica do cérebro pode influenciar expectativa de vida e saúde

Estudo de Stanford revela que envelhecimento cerebral está ligado ao risco de doenças e mortalidade

Pesquisadores da Universidade Stanford desenvolveram um exame capaz de estimar a idade biológica do cérebro e de outros órgãos, associando esses dados ao risco de doenças em até dez anos. O estudo, publicado na Nature Medicine, aponta que um cérebro biologicamente mais jovem pode aumentar a longevidade e proteger contra enfermidades.

O teste analisa proteínas no sangue e prevê riscos para doenças como Alzheimer e insuficiência cardíaca, mostrando que a saúde cerebral é um dos principais indicadores de mortalidade e qualidade de vida.

Como funciona a avaliação da idade biológica

O conceito de idade biológica do cérebro refere-se ao estado funcional e estrutural do órgão, que pode ser diferente da idade cronológica. Fatores como genética, estilo de vida e saúde influenciam esse envelhecimento. O novo exame desenvolvido por Tony Wyss-Coray, professor de neurologia em Stanford, utiliza análise de sangue para calcular a idade de 11 órgãos ou sistemas, incluindo cérebro, músculos, coração e pulmões.

O estudo analisou dados de cerca de 45 mil pessoas do UK Biobank, utilizando quase 3 mil proteínas sanguíneas para alimentar um algoritmo que determina a idade biológica dos órgãos. Os resultados mostram que órgãos com idade biológica superior à cronológica apresentam maior risco de doenças específicas, como insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica e Alzheimer.

Impacto no risco de doenças e mortalidade

Quando a idade biológica do cérebro é superior à esperada, o risco de demência triplica. Por outro lado, cérebros mais jovens oferecem 25% mais proteção contra a doença. O estudo destaca que a idade biológica do cérebro é o melhor indicador de mortalidade: um cérebro envelhecido aumenta o risco de morte em 182% em 15 anos, enquanto um cérebro preservado reduz esse risco em 40%.

Fatores que influenciam o envelhecimento cerebral

Hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, estímulos cognitivos, sono de qualidade e controle do estresse, ajudam a manter o cérebro jovem. Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool também é fundamental.

O exame desenvolvido por Stanford avalia órgãos como cérebro, músculos, coração, pulmões, artérias, fígado, rins, pâncreas, sistema imunológico, intestinos e gordura corporal. A expectativa é que o teste esteja disponível para uso clínico em dois ou três anos, permitindo intervenções precoces para promover o envelhecimento saudável.

Avanços na ciência da longevidade

Pesquisas anteriores já indicavam a importância do sistema imunológico na saúde durante o envelhecimento. Agora, o foco se amplia para a análise individualizada de cada órgão, possibilitando estratégias personalizadas para aumentar a longevidade e a qualidade de vida.