Um estudo apresentado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer trouxe uma perspectiva inédita: exames de sangue capazes de identificar o risco da doença podem, em breve, ser usados também por clínicos gerais, e não apenas por especialistas.
Atualmente, a confirmação do diagnóstico depende de exames de imagem cerebral (PET) e da análise do líquido cefalorraquidiano — procedimentos caros e pouco acessíveis na rede básica de saúde.
Especialistas insuficientes diante do avanço da demência
O neurologista cognitivo Bryan Woodruff, da Mayo Clinic, participou de um seminário on-line no qual destacou a urgência de ampliar o número de profissionais capacitados a diagnosticar Alzheimer. Para ele, a expansão do uso de exames de sangue no atendimento primário é peça central dessa estratégia.
Segundo Woodruff, o crescimento de casos de demência em países de baixa e média renda está entre as maiores preocupações de saúde pública do século 21. No mundo, mais de 50 milhões de pessoas convivem com a doença, e 60% delas vivem justamente nessas regiões, onde o acesso a exames especializados como PET e análise do líquido cefalorraquidiano é limitado.
A resposta do especialista, dada durante o evento, reforça que sem mais profissionais aptos a interpretar os novos exames, o avanço tecnológico corre o risco de não chegar a quem mais precisa.
A notícia foi apresentada na mesma Conferência Internacional da Associação de Alzheimer que também discutiu, em dias anteriores, como derivados da maconha reduziram episódios de agitação em pacientes com demência em estágio avançado.
O que muda para o atendimento clínico
Se validados e incorporados à prática médica, os exames de sangue podem reduzir a dependência de tecnologias caras, hoje concentradas em grandes centros. Isso permitiria que clínicos gerais identifiquem sinais da doença logo nas primeiras consultas, encaminhando pacientes para acompanhamento especializado com mais agilidade.
A expectativa entre pesquisadores é que a combinação entre exames acessíveis e capacitação de mais profissionais de saúde amplie o diagnóstico precoce, especialmente em regiões onde a demência cresce mais rápido do que a oferta de especialistas.