Motéis de Belém e região metropolitana estão promovendo mudanças em suas instalações para oferecer hospedagem durante a COP 30, prevista para novembro deste ano.
A iniciativa busca suprir a alta demanda por acomodações, já que são esperados cerca de 50 mil visitantes para a conferência, enquanto a cidade conta com aproximadamente 24 mil leitos disponíveis.
Os proprietários investem em adaptações estruturais e operacionais para aproximar os motéis dos padrões da hotelaria tradicional, abrindo mão do apelo erótico para focar no público de eventos.
Adaptação dos motéis para a COP 30
Motéis da Grande Belém estão realizando alterações em suas estruturas, como a instalação de treliches, para acomodar grupos e delegações durante a COP 30. O objetivo é atender a uma demanda inédita, já que o evento internacional deve atrair um grande fluxo de turistas e participantes à capital paraense.
Segundo relatos de empresários do setor, a prioridade tem sido transformar os quartos para que se assemelhem mais a quartos de hotéis, deixando de lado a tradicional ambientação dos motéis. Além das mudanças físicas, há também uma preocupação em ajustar serviços e atendimento para o perfil dos visitantes da conferência.
Resistência e expectativas
Apesar dos esforços, há certa resistência por parte de alguns clientes em se hospedar em motéis adaptados. Um empresário do ramo, que também administra um hotel convencional, relatou que conseguiu reservar 24 apartamentos para uma delegação da Dinamarca em seu hotel, mas ainda não teve sucesso semelhante com os quartos do motel. Ele acredita, porém, que a localização privilegiada dos estabelecimentos próximos aos locais de debates da COP pode ser um diferencial decisivo.
Hospedagem alternativa em grandes eventos
O uso de motéis como alternativa de hospedagem durante eventos de grande porte não é novidade em Belém. De acordo com Fernando Soares, assessor jurídico do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Pará (SHRBS), a procura por este tipo de acomodação já é comum em períodos como o Círio de Nazaré, quando a cidade recebe muitos visitantes.
Soares afirma: “Nessa época, os motéis são muito procurados. Muita gente vem de carro, se hospeda, descansa e segue a programação. A COP 30 deve seguir o mesmo padrão”.
Além dos motéis, outras alternativas estão sendo consideradas para suprir a demanda da COP 30, como hotéis, alugueis por plataformas digitais, uso de escolas, reformas de prédios antigos e até hotéis em navios de cruzeiro, estes sob responsabilidade da Embratur.