Uma operação global liderada pela Europol resultou na prisão de 158 suspeitos de tráfico de pessoas e na libertação de 1.194 vítimas em 43 países, segundo anúncio feito nesta sexta-feira (11).
No Brasil, a Polícia Federal desmantelou uma rede que aliciava pessoas com falsas promessas de emprego e as traficava para Mianmar para exploração sexual.
Detalhes da operação Global Chain
Denominada Global Chain (Cadeia Global), a operação foi coordenada por Áustria e Romênia, com o suporte da Europol, Frontex e Interpol. O esforço conjunto envolveu cerca de 15 mil agentes de polícia e inspetores do trabalho de países da Europa, África, Ásia e América do Sul.
Durante a semana de ações, foram realizadas mais de 276 mil verificações em aeroportos, fronteiras e outros pontos estratégicos. Essas inspeções revelaram casos de exploração em setores como agricultura, construção civil e trabalho doméstico, além de situações em que vítimas eram coagidas a cometer crimes.
Segundo comunicado da Europol, diversos grupos do crime organizado foram desmantelados ao longo da operação. Além dos presos, outros 205 suspeitos de tráfico de pessoas foram identificados.
Foco em vítimas vulneráveis
A operação deu atenção especial a vítimas menores de idade. “As investigações mostram que a grande maioria das vítimas de exploração sexual são mulheres adultas, enquanto a exploração de menores está principalmente ligada à mendicância forçada e a atividades criminosas forçadas, como furtos de carteira. Em muitos desses casos, a proteção das vítimas pode ser desafiadora, pois elas são frequentemente exploradas por familiares”, informou a Europol.
A diretora executiva da Europol, Catherine De Bolle, destacou: “A cooperação estreita e eficaz entre as autoridades policiais internacionais e as autoridades de fronteira continua sendo essencial para proteger aqueles que são mais vulneráveis à exploração. Cada indivíduo protegido da exploração representa um sucesso inestimável”.
O balanço da operação Global Chain reforça a importância da colaboração internacional no combate ao tráfico de pessoas. A participação de países de diferentes continentes permitiu identificar e desarticular redes transnacionais que atuam em múltiplas frentes de exploração.
No Brasil, a atuação da Polícia Federal evidenciou a presença de esquemas que utilizam falsas propostas de trabalho para recrutar vítimas, especialmente para exploração sexual em outros países, como Mianmar.
O comunicado da Europol também ressalta o desafio de proteger vítimas menores de idade, já que muitas vezes a exploração ocorre dentro do próprio núcleo familiar, dificultando a identificação e o resgate.
A operação serviu de alerta para o aumento da vigilância em setores vulneráveis e para a necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção, assistência e repressão ao tráfico de pessoas em escala global.